O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, chamou o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, de “criminoso de guerra” e de “arquiteto de um genocídio atroz contra o povo palestino”. Em vídeo divulgado nesta terça-feira (21), ele afirmou ainda que o premiê israelense não é bem-vindo na cidade e cobrou do governo federal dos Estados Unidos o cumprimento do mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI).
Mamdani, porém, reconheceu que a prefeitura e a polícia de Nova York não possuem autoridade legal independente para executar o mandado caso Netanyahu viaje à cidade.
“Minha administração analisou todas as vias disponíveis na legislação aplicável para determinar se a cidade de Nova York poderia executar o mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional caso Benjamin Netanyahu viesse para cá”, declarou.
“Ficou claro que não temos autoridade legal independente para cumprir esse mandado. O governo federal, no entanto, tem, e peço que se junte ao TPI e execute a ordem”, acrescentou o prefeito.
Assista ao vídeo:
Mamdani mantém posição sobre prisão
Durante a campanha eleitoral que o levou à prefeitura, Mamdani prometeu orientar a polícia de Nova York a deter Netanyahu caso o premiê israelense entrasse na cidade.
Nos últimos dias, o prefeito informou que o departamento jurídico municipal estava estudando todas as possibilidades legais para cumprir a promessa. Como mostrou a Fórum, Mamdani chegou a declarar que Netanyahu deveria ser levado a Haia, sede do TPI, para responder pelos crimes dos quais é acusado.
A análise jurídica concluiu, entretanto, que o governo municipal não poderia agir sozinho. Mamdani transferiu, então, a pressão para a administração federal comandada por Donald Trump.
A impossibilidade jurídica não alterou o discurso político do prefeito.
“Quero ser igualmente claro: Benjamin Netanyahu não é bem-vindo na cidade de Nova York, assim como nenhum outro criminoso de guerra foragido”, afirmou.
Trump promete proteger Netanyahu
A cobrança de Mamdani ocorre depois de Trump assegurar publicamente que Netanyahu não será preso caso visite os Estados Unidos.
“Benjamin Netanyahu não será preso, de nenhuma maneira, forma ou circunstância, enquanto estiver nos Estados Unidos da América”, escreveu o presidente estadunidense nesta segunda-feira (20).
Netanyahu deve viajar a Nova York em setembro para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas. A possibilidade de sua presença na cidade reabriu a discussão sobre o cumprimento do mandado internacional.
O gabinete do premiê israelense rejeitou as declarações de Mamdani e classificou o Tribunal Penal Internacional como uma “corte de fachada”. Israel nega ter cometido crimes de guerra e não reconhece a jurisdição do tribunal.
O embaixador israelense na ONU, Danny Danon, também atacou o prefeito e o acusou de reproduzir “propaganda do Hamas”.
O mandado do Tribunal Penal Internacional
O TPI expediu, em novembro de 2024, mandados de prisão contra Netanyahu e o então ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant.
Os magistrados afirmaram ter encontrado fundamentos razoáveis para acreditar que os dois possuem responsabilidade por crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos durante a ofensiva israelense na Faixa de Gaza.
Entre as acusações apresentadas estão o uso da fome da população civil como método de guerra e os crimes contra a humanidade de assassinato, perseguição e outros atos desumanos. As acusações ainda dependem de julgamento, e Netanyahu as rejeita.
Os Estados Unidos e Israel não integram o TPI e não são signatários do Estatuto de Roma, tratado que criou o tribunal. O governo Trump, além de rejeitar a jurisdição da corte, adotou sanções contra integrantes do órgão por causa das investigações envolvendo autoridades israelenses.
Para Mamdani, contudo, a posição dos Estados Unidos não elimina a responsabilidade política e moral diante da destruição provocada em Gaza.
“Qualquer pessoa — com seus olhos, seu coração e sua consciência — deveria reconhecer a devastação que ele causou e entender que seu lugar é diante de um tribunal”, declarou.
“Concordo com o TPI que Benjamin Netanyahu deve ser preso e julgado por seus crimes, assim como qualquer outra pessoa acusada pelo tribunal”, concluiu o prefeito.
Com informações da AFP/ Ivan Longo/Caminho Político
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