O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), passou a conversar reservadamente com líderes partidários para organizar uma reação à decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, sobre as emendas parlamentares. Os contatos ocorrem por telefone e em reuniões individuais. PT e PSOL, porém, dizem não ter sido chamados.Sem a participação de partidos da base governista, a movimentação tem sido interpretada como tentativa de frear as investigações, aprofundando a crise institucional entre os poderes e elevando a pressão sobre o Supremo para conter novos avanços da Corte sobre o controle dessas verbas.
As emendas são hoje uma das principais fontes de influência política da presidência da Câmara. Elas ajudam a manter bancadas alinhadas e fortalecem a relação dos deputados com prefeitos e governos estaduais.
Motta afirma que vai defender a legalidade dos repasses e demonstrar ao STF que houve transparência.
Dino deu prazo de dez dias para que a Câmara apresente todos os documentos relativos às emendas citadas pela Polícia Federal. O material deverá ser entregue de forma individualizada e organizado por repasse.
A decisão também determinou o bloqueio de R$ 6,1 milhões em bens do ex-deputado Eduardo Cunha e de R$ 119 milhões ligados ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto.
Ao costurar uma reação sem reunir todas as bancadas, Motta tenta construir uma resposta institucional que está longe de ser consensual.
Assessoria/Raony Salvador/Caminho Político
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