Vorcaro volta a assombrar Flávio Bolsonaro com investigações iminentes

As tensões familiares no clã Bolsonaro, intensificadas pelo vídeo devastador de Michelle revelando uma série de desrespeitos do primogênito contra ela, são extremamente prejudiciais para a campanha de Flávio, mas vistas como politicamente contornáveis. No entanto, o verdadeiro fantasma que ameaça assombrar o senador nesta semana é Daniel Vorcaro. Com a decisão do presidente do STF, Edson Fachin, de que o caso Black Horse ficará sob a responsabilidade do ministro André Mendonça, os supostos obstáculos para que a Polícia Federal inicie as investigações sobre as relações entre Flávio e Vorcaro foram formalmente removidos. Até agora, essas investigações são superficiais e desiguais quando comparadas às conduzidas sobre os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Jaques Wagner (PT-BA). Não há mais justificativa para adiar.
Com a Copa do Mundo em andamento, o futebol tem contribuído para a já conhecida memória curta dos brasileiros. Vale lembrar que, há pouco mais de um mês, o The Intercept Brasil divulgou áudios de conversas em que Flávio cobrava de Vorcaro o cumprimento da promessa de financiamento do filme sobre seu pai. Naquele momento, o ex-banqueiro já havia investido generosos R$ 61 milhões, quase metade dos R$ 134 milhões previamente acordados, como parte de um apoio sigiloso e incomum entre patrocinadores. No entanto, o Zero Um queria o restante, apesar de a cinebiografia já estar finalizada ao custo de R$ 75 milhões – apenas R$ 14 milhões a mais do que o então proprietário do Master "adiantou" ao esquema.
Inicialmente, Flávio negou de maneira patética ter solicitado dinheiro a Vorcaro, chegando a chamar o repórter que o questionou sobre o assunto de "militante". Aos gritos, afirmou tratar-se de "ataque político" e "fake news". Confrontado com os áudios de sua própria voz, admitiu ter pedido o dinheiro como "um filho" buscando "patrocínio privado" para um filme sobre o pai. Desde que o escândalo do Master veio à tona, o senador insistia junto ao PL que nem ele nem sua família tinham relações com Vorcaro. Flagrado, foi obrigado a confirmar encontros com o ex-banqueiro, o último deles na casa de Vorcaro, já após a liquidação do banco e a primeira prisão preventiva.
Flávio revelou-se a seus partidários e ao país como um mentiroso reincidente e contumaz. Mesmo com a desconfiança de figuras importantes do PL, a decisão da maioria foi de dar mais uma chance ao pré-candidato, desde que a história não trouxesse novas surpresas.
Em 19 de junho, dia em que a Seleção Brasileira conquistou sua primeira vitória na Copa, derrotando o Haiti por 3 x 0, venceu o prazo estabelecido pelo senador para apresentar as contas do filme e, com elas, apaziguar aliados. Mesmo aplicando a generosidade de se tratar de 30 dias úteis, a data limite é amanhã, quando o Brasil enfrenta o Japão, já no mata-mata. A desejada vitória canarinho pode até adiar a cobrança do PL pelas planilhas prometidas, mas não deverá resultar no esquecimento das inexplicáveis (e milionárias) relações do senador com o ex-banqueiro. Afinal, não há mais como adiar: a PF está a caminho.
A expectativa é que as investigações foquem em três pontos: o envolvimento direto de Flávio no dinheiro dado por Vorcaro ao filme; a hipótese de que parte dos recursos visasse financiar o deputado cassado e autoexilado nos Estados Unidos, Eduardo Bolsonaro; e os parlamentares que teriam destinado emendas a entidades para custear a produção. Nesse contexto, as suspeitas envolvem Mario Frias (PL-SP), Marcos Pollon (PL-MS) e Bia Kicis (PL-DF), candidata apoiada por Michelle para o Senado, agora cotada para vice de Flávio, em uma tentativa frágil de agradar à madrasta após a exposição pública de conflitos familiares. Inclui ainda a ex-deputada foragida na Itália, Carla Zambelli, e o condenado por tentativa de golpe de Estado, Alexandre Ramagem, que fugiu para os Estados Unidos.
Tudo relacionado ao Dark Horse, expressão em inglês para azarão, é, no mínimo, tortuoso. O custo declarado supera de longe todas as produções brasileiras, incluindo os premiados Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto. Feito nos Estados Unidos, o filme inicialmente tinha Eduardo como principal executivo, tarefa que teria ficado a cargo da Go Up, de propriedade de Karina Gama.
Proprietária do Instituto Conhecer Brasil (ICB), ela é investigada pela Polícia Civil de São Paulo por um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura da capital para instalar e fazer manutenção de pontos de internet gratuita em comunidades de São Paulo. Além de cobrar preços até três vezes superiores aos praticados pelo mercado, a ONG de Karina é acusada de receber R$ 26 milhões da gestão Ricardo Nunes sem ter prestado os serviços e de subcontratar a empresa de Alex Leandro Bispo do Santos, que, segundo a polícia, é membro do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Atribui-se ao caso Vorcaro a queda de Flávio nas pesquisas de opinião após um início vigoroso na corrida presidencial. O PL e sua campanha contavam com a Copa do Mundo como um alívio e não com novos problemas no clã. Muito menos com a investigação no encalço do senador. Como não há como adiar e há muita corda para puxar nesse novelo, o que está por vir tende a ser ainda mais prejudicial do que as discussões familiares.
Mary Zaidan/PAIPEE BR/Caminho Político
📢 Jornalismo profissional e de qualidade. Acompanhe as últimas notícias de Cuiabá, de Mato Grosso, de Brasil e do Mundo.
📲 📰 💻Siga o Caminho Político nas redes sociais 💻
🌐www.caminhopolitico.com.br
🌐www.debatepolitico.com.br

Comentários