O candidato de direita populista Abelardo de la Espriella e o senador de esquerda Iván Cepeda foram os primeiros colocados do primeiro turno das eleições presidenciais na Colômbia realizado neste domingo, 31. Com mais de 97% das urnas apuradas, De la Espriella, um advogado milionário com pequena trajetória na vida pública e fã de Javier Milei, Donald Trump e Naiyyb Bukele, obteve 44% dos votos. Cepeda, herdeiro político do presidente, Gustavo Petro, teve 41%. De La Espriella cresceu vertiginosamente na reta final da eleição ao capturar os votos da candidata da direita conservadora, Paloma Valencia, afilhada política do ex-presidente Álvaro Uribe, que ficou com 6% dos votos.
O candidato conservador promete encerrar as negociações de paz com grupos armados ilegais e aumentar a pressão militar nos territórios onde atuam.
“Vou exterminar o narcoterrorismo, que condenei e declarei alvo militar, como baratas, como ratos. Vou desencadear a ira de Deus sobre eles como nunca antes vista”, afirmou De la Espriella em entrevista à Associated Press na reta final da campanha.
Sua postura crítica em relação ao governo lhe rendeu o apoio de setores da oposição, que o veem como a personificação dos valores conservadores que defendem. Esse apoio acabou desidratando a candidatura de Paloma Valencia.
Cepeda, candidato do Pacto Histórico, afirmou que, se eleito, dará continuidade às políticas de Petro, incluindo a iniciativa de “paz total”, com a qual o presidente cessante promoveu negociações com grupos armados ilegais, em meio a críticas da oposição, que apontam para um impacto negativo na segurança do país.
O candidato do governo também indicou que convocará diversos setores, incluindo líderes empresariais e movimentos sociais, para discutir os principais problemas do país e que não descarta a possibilidade de que esse diálogo possa levar a um processo de emenda constitucional, em vigor desde 1991.
Analistas afirmam que Cepeda representa a continuidade do projeto político de Petro, durante o qual Petro manteve disputas com os tribunais superiores, o banco central e os órgãos de fiscalização.
O senador afirmou que manterá e aprofundará as reformas sociais de Petro — como as dos sistemas trabalhista e previdenciário — e promoverá aquelas que ficaram de fora, especialmente a reforma do sistema de saúde, rejeitada pelo Congresso.
AFP E AP/BOGOTÁ/Caminho Político
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