Após EUA sinalizarem novas tarifas de 25% na esteira de visita de Flávio a Trump, Lula chama senador de "imbecil" e diz que filhos de Jair Bolsonaro são "vendilhões da Pátria". O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reclamou nesta terça-feira (02/06) do risco de imposição de um novo tarifaço pelos EUA sobre produtos brasileiros e associou a nova ameaça à família Bolsonaro. "Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser pior do que ele. São na verdade vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. São traidores", disse Lula durante um evento em Catalão (GO).
A ameaça de um novo tarifaço a ser imposto pelos EUA acontece uma semana depois de uma visita do senador e pré-candidato presidencial Flávio Bolsonaro ao presidente americano, Donald Trump, na Casa Branca.
"Ele [Flávio Bolsonaro] foi pedir arrego. ‘Trump, dá uma porrada no Lula, taxa o Lula, porque o Lula vai ganhar as eleições, não deixa, prejudica o Lula'. Imbecil. Ele não sabe que ele não vai prejudicar o Lula, ele vai prejudicar é o povo brasileiro, os empresários brasileiros, o agronegócio", disse Lula.
Investigação comercial
Oficialmente, o risco surgiu após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) concluir uma investigação comercial sobre o Brasil e recomendar a imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros importados pelos americanos – excluindo alguns itens. No documento, os americanos se queixaram do uso do Pix no Brasil e questões relacionada à proteção de propriedade intelectual, entre outros temas.
Mais cedo, Flávio Bolsonaro disse em entrevista a uma rádio que havia pedido a Trump para poupar empresas brasileiras do tarifaço.
Lula, por sua vez, apontou que a família Bolsonaro celebrou um tarifaço anterior sobre produtos brasileiros imposto pelos EUA no ano passado. "Esse cidadão hoje aparece na imprensa dizendo 'eu não falei nada'. Todo covarde é assim, fala a merda que fala, depois não tem coragem de assumir o que fala e fica tentando mentir", afirmou Lula.
Classificação de CV e PCC como "terroristas"
A nova ameaça americana também surgiu dias após os EUA passarem a classificar as facções brasileiras CV e PCC como "terroristas”, algo que Flávio e seu irmão Eduardo Bolsonaro afirmaram ter tratado com Trump. A decisão americana provocou críticas por parte do governo Lula e especialistas em segurança pública, que apontaram o risco de intervenção americana e de enfraquecimento da cooperação Brasil-EUA.
Ainda em Goiás, Lula afirmou ter combinado com Trump no mês passado termos para fechar um acordo, mas que a questão ainda não concluída.
"Eu disse pro Trump: ‘Tem uma divergência aqui entre o seu ministro do comércio e o meu, então vamos dar 30 dias para eles provarem quem é que está certo; se eu estiver errado eu aceito e se você tiver errado você aceita'. E demos 30 dias, até agora já conversaram três vezes e não houve acordo”, afirmou Lula.
jps/md (ots)Caminho Político
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