O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), questionou, em vídeo que circula nas redes sociais, a votação de pisos salariais para categorias de trabalhadores sob o argumento de impacto nas contas públicas. A fala ganhou repercussão nesta quinta-feira (11), um dia depois de o Senado aprovar uma pauta de interesse do agronegócio que pode custar até R$ 140 bilhões aos cofres públicos, segundo estimativa da Fazenda. No vídeo, Alcolumbre afirma que, em ano eleitoral, propostas de pisos salariais tendem a ser aprovadas porque “todo mundo vai votar sim”. Em seguida, diz que o país teria de “arrumar 10 Brasil para pagar”.
“E aí fica sendo eu culpado porque não quer dar um piso pro médico, ou pisos do outro lado das ruas. Piso pro médico que salva a vida das pessoas no pronto atendimento. O piso pro enfermeiro… Meu Deus do céu! Mas o Brasil comporta isso? O Brasil vai resistir? As finanças públicas vão resistir?”, disse Alcolumbre.
A declaração foi compartilhada pelo perfil de Vinicios Betiol no X, que contrapôs a fala do presidente do Senado à aprovação, no dia seguinte, do projeto de renegociação de dívidas rurais. A crítica também mirou o fato de Alcolumbre ter tratado pisos salariais de trabalhadores como risco fiscal enquanto levou adiante uma proposta considerada pauta-bomba pela equipe econômica.
Davi Alcolumbre citou médicos, enfermeiros e pisos salariais
Na fala, Davi Alcolumbre menciona diretamente médicos e enfermeiros. O trecho passou a circular associado ao debate sobre pisos de diferentes categorias profissionais, incluindo professores, servidores da saúde e outros trabalhadores que reivindicam remuneração mínima nacional.
Alcolumbre também afirmou que a votação desses temas exigiria fonte de arrecadação. “Quando colocar na Constituição isso aqui, vamos questionar se teve uma fonte de arrecadação, porque a lei tem que ter a fonte”, disse o presidente do Senado.
O senador acrescentou que poderia adotar uma posição de bloqueio geral sobre as propostas. “Ou eu vou botar todos esses daqui na pauta, todas as PEC, todos os pisos e todas as solicitações, ou não vou votar nenhum”, afirmou.
Senado aprova pauta do agro com impacto bilionário
A repercussão ocorre após o Senado aprovar, nesta quarta-feira (10), o PL 5.122/2023, que autoriza o uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal para criar uma linha especial de financiamento destinada a produtores rurais. O texto trata da renegociação de dívidas do setor agropecuário e foi aprovado sob pressão da bancada ruralista.
Como mostrou a Revista Fórum, a articulação de Alcolumbre abriu caminho para uma pauta-bomba contra o governo Lula e contou com apoio de bolsonaristas no Senado.
A equipe econômica estima que o impacto da proposta pode chegar a R$ 140 bilhões. O texto foi alterado pelos senadores e, por isso, ainda precisa voltar à Câmara dos Deputados.
Contraste pressiona Alcolumbre
O contraste entre as duas posições colocou Davi Alcolumbre no centro de uma nova crise política. De um lado, o presidente do Senado questionou se o Brasil “comporta” a criação de pisos salariais para trabalhadores. De outro, comandou a pauta que permitiu avançar uma renegociação bilionária para produtores rurais.
A diferença de tratamento virou combustível para críticas de parlamentares e perfis ligados ao campo progressista. O principal ponto é a seletividade fiscal: rigor quando a pauta envolve salário mínimo profissional para trabalhadores, flexibilidade quando a demanda parte do agronegócio.
O episódio também aprofunda o desgaste entre o Senado e o governo Lula. A Fazenda vê a proposta como risco para as contas públicas e avalia medidas para tentar reduzir o impacto fiscal do projeto durante a nova análise na Câmara.
Assessoria/Diego Feijó de Abreu/Revista Forum/Caminho Político
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