O deputado federal Alencar Santana (PT-SP), que preside a comissão especial que analisou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) pelo fim da escala 6x1, afirmou que o Brasil está próximo de viver uma mudança histórica nas relações de trabalho com o avanço da proposta que prevê o fim da escala 6x1 e a redução gradual da jornada semanal. Em entrevista ao programa Brasil Agora, da TV 247, o parlamentar destacou a importância dessa reivindicação história para a classe trabalhadora. Alencar Santana destacou que o avanço da proposta ocorreu após reuniões entre lideranças da Câmara dos Deputados e o presidente Lula e integrantes do governo. Segundo ele, participaram das negociações o presidente da Câmara, Hugo Motta, o relator Léo Prates, os ministros do Trabalho, Luiz Marinho, e Relações Institucionais, José Guimarães.
O deputado classificou a medida como uma resposta à mobilização popular em defesa de melhores condições de trabalho e afirmou que o país passa a acompanhar tendências internacionais de redução da jornada.
“O Brasil entra em sintonia com o mundo civilizado, que já reduziu sua jornada de trabalho, da mesma maneira que alguns países da América Latina também estão reduzindo”, declarou.
Segundo o parlamentar, o texto prevê o fim da escala 6x1 já em 2026, caso seja sancionado. “Em linhas gerais, a escala 6x1 acaba em 2026, acabou. Basta, chega dessa escala tão exaustiva e tão exploratória, tão desgastante para a saúde do trabalhador”, afirmou.
O parlamentar explicou que a redução da jornada ocorrerá de forma gradual. Pela proposta discutida na Câmara que vai para análises do Senado, a carga horária semanal cairá de 44 para 42 horas em 2026, sessenta dias após a promulgação da PEC. Em 2027, haverá nova redução para 40 horas semanais.
“A partir de 2026, sessenta dias após a promulgação da PEC, o trabalhador brasileiro trabalhará somente quarenta e duas horas semanais”, explicou.
Alencar Santana também rebateu críticas de setores empresariais e garantiu que a proposta não permitirá redução salarial.
“No texto constitucional nós também vamos deixar expresso que não pode ter redução salarial”, enfatizou.
De acordo com ele, empresas que descumprirem as regras poderão ser fiscalizadas e punidas pelo Ministério do Trabalho.
“Tem mecanismo de fiscalização por parte do Ministério do Trabalho para punir essas empresas que porventura tentarem burlar essa conquista histórica do nosso trabalhador”, acrescentou.
Jovens e mulheres
O deputado ressaltou ainda que mulheres e jovens devem ser os grupos mais beneficiados pela mudança na jornada de trabalho. Segundo ele, a redução permitirá mais tempo para convivência familiar, estudo e lazer.
“Para a mulher, que é uma carga muito exaustiva, até porque ela tem uma carga muitas vezes maior fora do seu ambiente de trabalho também, vai ter mais tempo para a sua família”, declarou.
Sobre os jovens, afirmou: “Para a nossa juventude também poder estudar e se preparar mais e melhor e curtir a vida plenamente”.
Durante a entrevista, Alencar Santana também comentou o cenário político nacional e afirmou que a extrema-direita enfrenta desgaste diante das investigações sobre o caso Banco Master envolvendo o banqueio Daniel Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e outros aliados.
“A verdade aparece e a extrema-direita vai derretendo”, disse o parlamentar que citou ainda o deputado Mário Frias e Eduardo Bolsonaro ao comentar denúncias relacionadas ao chamado caso “BolsoMaster”.
“Agora o Frias está enrolado em outra rachadinha no mandato, por isso que a bancada do PT já representou contra ele na Procuradoria da República para que seja investigado e punido, se assim comprovado”, afirmou.
Assessoria/Dayane Santos/Caminho Político
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