Gutemberg Fonseca: quem é o aliado de Flávio Bolsonaro, pré-candidato a deputado, que teria recebido chefe do Comando Vermelho

Ex-árbitro de futebol, publicitário e operador político do bolsonarismo fluminense, Gutemberg de Paula Fonseca construiu sua trajetória nos bastidores do poder do Rio de Janeiro como um homem de absoluta confiança de Flávio Bolsonaro. A relação entre os dois remonta ao período anterior à eleição de Jair Bolsonaro em 2018, quando Gutemberg atuou nas campanhas do clã e passou a integrar a chamada “cota bolsonarista” nos governos aliados do Rio. Foi por indicação direta da família Bolsonaro que ele assumiu a Secretaria de Governo de Wilson Witzel, tornando-se um dos principais articuladores políticos do PSL no estado.
Ao longo dos anos, Gutemberg transitou por diferentes áreas estratégicas do governo fluminense sempre orbitando a influência de Flávio Bolsonaro. Passou pela Secretaria de Ordem Pública da prefeitura do Rio, pela Secretaria de Esportes do governo Cláudio Castro e, mais recentemente, pela recém-criada Secretaria de Defesa do Consumidor. Reportagens da imprensa carioca e de Brasília descrevem Gutemberg como uma espécie de interlocutor informal entre Flávio e o Palácio Guanabara, condição que lhe garantiu sobrevivência política mesmo em meio a crises internas do governo Castro. A própria coluna de Cláudio Magnavita relatou que a criação da estrutura da Defesa do Consumidor atendeu a uma pressão direta do senador para acomodar seu aliado no primeiro escalão estadual.
O nome de Gutemberg passou a frequentar o centro das investigações federais após desdobramentos da Operação Zargun, da Polícia Federal, que apura relações entre agentes públicos e integrantes do Comando Vermelho. Segundo diálogos interceptados pela PF, o traficante Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como “Índio do Lixão”, teria relatado encontros com o secretário para discutir demandas relacionadas ao policiamento em áreas de interesse da facção e pedir “cobertura política”. O ex-subsecretário Alessandro Pitombeira Carracena afirmou aos investigadores que soube da reunião “pelo próprio Gutemberg”.
As investigações ganharam peso político quando a PF avançou sobre o entorno administrativo de Gutemberg. Carracena — aliado político indicado ao governo estadual com apoio do grupo de Flávio Bolsonaro — acabou preso na Operação Anomalia, que investiga um suposto esquema de venda de influência e favorecimento ao tráfico internacional ligado ao Comando Vermelho. Gutemberg aparece como padrinho político de Carracena dentro do governo Castro. A PF investiga se havia uma rede informal de contatos políticos usada para intermediar interesses da facção junto a estruturas do Estado.
Gutemberg nega qualquer relação com integrantes do Comando Vermelho e afirma jamais ter negociado policiamento ou favorecimentos para criminosos. Mesmo assim, sua permanência no governo, até abril deste ano, foi tratada por aliados de Castro e por veículos da imprensa nacional como consequência direta da proteção política de Flávio Bolsonaro.
O desgaste cresceu a ponto de interlocutores do senador admitirem reservadamente preocupação com o impacto eleitoral do caso sobre a pré-candidatura presidencial de Flávio em 2026. Ainda assim, o parlamentar manteve o apoio ao aliado, inclusive incentivando sua candidatura à Câmara dos Deputados. O episódio aprofundou a associação entre setores do bolsonarismo fluminense e personagens investigados em inquéritos que apuram infiltração do crime organizado na estrutura política do Rio de Janeiro.
Assessoria/ Plinio Teodoro/Revista Forum/Caminho Político
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