Governo Tarcísio tem 11 denunciados em esquema bilionário do ICMS com dono da Ultrafarma

O governo Tarcísio de Freitas enfrenta um novo desdobramento do escândalo bilionário do ICMS em São Paulo. O Ministério Público de São Paulo denunciou 11 pessoas sob acusação de integrar uma organização criminosa instalada em torno da Secretaria da Fazenda paulista, entre elas Sidney Oliveira, fundador da Ultrafarma, e o ex-auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto.
Segundo a denúncia, o grupo teria atuado para liberar créditos tributários fraudulentos de ICMS a grandes empresas do varejo. O esquema é investigado na Operação Ícaro e teria movimentado cerca de R$ 1 bilhão em propinas.
A nova acusação amplia a pressão sobre a Fazenda paulista, área estratégica do governo Tarcísio, e atinge empresários, executivos, doleiros, auditores fiscais e operadores financeiros.
Governo Tarcísio tem nova denúncia na Fazenda paulista
Segundo a Promotoria, Sidney Oliveira integrava o núcleo empresarial da organização criminosa. O MP-SP afirma que a atuação do empresário não teria sido pontual, mas uma adesão estável ao esquema entre 2021 e 2025.
De acordo com a investigação, a Ultrafarma teria pago propina para obter vantagens na liberação de créditos tributários de ICMS. O Ministério Público sustenta que Sidney autorizava pagamentos destinados a auditores fiscais envolvidos no esquema e mantinha contato direto com Artur Gomes da Silva Neto.
Nas mensagens analisadas pelos investigadores, o ex-auditor apareceria identificado como “amigo” ou “king”. A propina, segundo a denúncia, era tratada pelo codinome “vinho”.
Em um dos diálogos citados pelo MP-SP, de maio de 2024, Sidney teria autorizado a entrega de “50”, valor interpretado pelos promotores como referência a R$ 50 mil em dinheiro vivo.
MP diz que dinheiro era entregue na sede da Ultrafarma
A Promotoria afirma que pagamentos em espécie costumavam ocorrer na sede administrativa da Ultrafarma, em Santa Isabel, na Grande São Paulo. Dados de geolocalização do celular de Artur Gomes da Silva Neto indicariam a presença frequente do ex-auditor no local em datas mencionadas nas conversas.
Em um dos episódios narrados na denúncia, Silva Neto teria recebido R$ 250 mil em espécie dentro da sede da Ultrafarma.
O Ministério Público também pediu medidas cautelares contra Sidney Oliveira, entre elas uso de tornozeleira eletrônica, apreensão do passaporte, comparecimento mensal à Justiça e proibição de deixar a comarca onde reside. Se a denúncia for aceita, os acusados passam a responder como réus.
Esquema do ICMS já havia sido revelado pela Fórum
A Revista Fórum acompanha o caso desde a primeira fase da Operação Ícaro. Em agosto de 2025, a Fórum mostrou que Sidney Oliveira foi solto após pagar fiança de R$ 25 milhões, depois de ser preso em operação que investigava fraudes em créditos tributários que ultrapassavam R$ 1 bilhão.
A Fórum também revelou que Sidney Oliveira havia confessado crime e feito acordo milionário antes de ser preso. O caso já indicava a existência de um esquema estruturado envolvendo empresários e agentes públicos ligados à Fazenda paulista.
Outro ponto já publicado pela Fórum é a relação política e midiática do empresário. A reportagem mostrou que Sidney Oliveira é patrocinador da bolsonarista RedeTV! e apoiou Ricardo Nunes, aliado de Tarcísio de Freitas em São Paulo.
A Fórum também registrou que Sidney Oliveira chegou a permanecer preso por decisão da Justiça, em meio ao avanço das investigações sobre a Operação Ícaro.
Ex-auditor é apontado como operador central do esquema
Artur Gomes da Silva Neto é descrito pelo MP-SP como o articulador central da corrupção na Fazenda paulista. Ele ocupava cargo de supervisor fiscal na Diretoria de Fiscalização da Sefaz-SP, posição que lhe permitia acompanhar o deferimento de créditos tributários e a cessão desses créditos a terceiros.
Segundo a denúncia, Silva Neto mantinha contato direto com varejistas, apresentava ofertas de serviços ilícitos, ajustava valores de propina e distribuía demandas entre outros auditores fiscais do grupo.
A investigação afirma ainda que ele utilizaria a Smart Tax Consultoria e Auditoria Tributária Ltda., empresa registrada em nome de sua mãe, Kimio Mizukami da Silva, como base operacional e financeira para receber e circular propinas.
Escândalo atinge estrutura da Fazenda de Tarcísio
A Operação Ícaro atingiu a estrutura interna da Secretaria da Fazenda do governo Tarcísio. Segundo a Sefaz-SP, há 61 procedimentos administrativos em aberto para apurar envolvimento nas irregularidades, entre eles processos disciplinares e apurações preliminares.
A pasta informou ainda que 17 servidores permanecem afastados, com suspensão de remuneração. No fim de abril, a Sefaz-SP anunciou a demissão de cinco auditores fiscais envolvidos em irregularidades.
O caso também já havia levado o governo paulista a rever regras de créditos de ICMS. Em agosto de 2025, Tarcísio revogou decreto de sua própria gestão que simplificava a concessão de créditos tributários após o escândalo vir à tona.
Em novembro, a Fórum mostrou que o escândalo das isenções afetava a imagem de Tarcísio como gestor. A reportagem apontou que o caso atingia um dos principais pilares da propaganda política do governador.
A Fórum também publicou que Guilherme Boulos denunciou o esquema de corrupção no governo Tarcísio e criticou a baixa repercussão política do caso.
Fast Shop recebeu multa bilionária
A nova denúncia cita outras empresas investigadas, como Fast Shop e Rede 28, rede de postos de combustíveis. No caso da Fast Shop, o prejuízo estimado aos cofres paulistas chega a R$ 1,04 bilhão, segundo a Promotoria.
Na segunda-feira (11), o governo de São Paulo aplicou multa de R$ 1,04 bilhão à Fast Shop por irregularidades no ICMS. A Controladoria Geral do Estado apontou oferta de vantagem indevida a agente público, obtenção de benefícios tributários indevidos e interferência em atividades de fiscalização e investigação da administração tributária estadual.
A Fórum mostrou que a Fast Shop foi multada em R$ 1,04 bilhão por fraude em créditos de ICMS em SP. A penalidade foi classificada como a maior já registrada no país com base na Lei Anticorrupção.
Em acordos com o MP-SP para evitar ações penais, sócios e um diretor da Fast Shop admitiram participação no esquema e se comprometeram a devolver R$ 100 milhões aos cofres públicos. A Fast Shop recorre da multa e afirma que o processo administrativo ainda está em curso.
Sidney Oliveira foi preso temporariamente em agosto de 2025, na primeira fase da Operação Ícaro, e solto dias depois. Esta é a segunda denúncia criminal contra o empresário no âmbito da investigação. Desde fevereiro, ele já responde por corrupção.
Assessoria/Diego Feijó de Abreu/Caminho Político
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