Almeida Júnior, o intérprete do Brasil profundo nas artes visuais

Oito de maio é a data em que se celebra o Dia do Artista Plástico no Brasil. A data foi escolhida em homenagem ao nascimento do pintor José Ferraz de Almeida Júnior, um dos maiores expoentes da arte brasileira.
Precursor do realismo e da pintura temática regionalista na arte nacional, Almeida Júnior se destacou como primeiro artista brasileiro a retratar com fidedignidade o universo do homem do campo e a conferir proeminência aos personagens simples e anônimos, distanciando-se das fórmulas generalistas e dos temas pomposos da pintura acadêmica.
José Ferraz de Almeida Júnior nasceu em Itu, no interior de São Paulo, em 8 de maio de 1850, demonstrando desde a infância a inclinação para o desenho e a pintura. Durante a adolescência, trabalhou como sineiro na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Candelária, para a qual pintou algumas telas de temática sacra.
Foi incentivado a seguir a carreira artística pelo padre Miguel Correa Pacheco, o pároco da igreja, que organizou uma coleta de fundos para financiar seus estudos. Assim, aos 19 anos, Almeida Júnior mudou-se para o Rio de Janeiro, ingressando na Academia Imperial de Belas Artes (AIBA).
No Rio de Janeiro, Almeida Júnior estudou pintura com Jules Le Chevrel e Victor Meirelles. Seu linguajar caipira e hábitos simples causaram desconforto entre os colegas da academia. “Falava como os primitivos provincianos e tal qual estes vestia-se, andava, retraía-se. Mas isso não impediria que fizesse um curso brilhantíssimo, durante o qual recebeu diversas premiações em desenho figurado, pintura histórica e modelo vivo, inclusive, em 1874, a grande medalha de ouro com o quadro Ressurreição do Senhor, comentou o jornalista e crítico de arte Gastão Pereira da Silva.
Graduou-se em 1874, mas, ao contrário dos colegas, optou por não concorrer à prêmio de viagem à Europa, preferindo regressar a Itu. Montou um ateliê simples, onde passou a trabalhar como retratista e professor de desenho.
Em 1876, suas obras foram vistas pelo imperador Dom Pedro II, que estava em viagem pelo interior paulista. Impressionado com o talento do jovem pintor, o monarca lhe ofereceu uma bolsa de estudos na Europa. Após aceitar a oferta, Almeida Júnior mudou-se para Paris, matriculando-se na Escola Nacional Superior de Belas Artes, onde estudou com Alexandre Cabanel.
Durante sua estadia na Europa, Almeida Júnior participou de quatro edições do Salão Oficial dos Artistas Franceses. Produziu algumas de suas obras mais conhecidas durante esse período, incluindo O Derrubador Brasileiro, marco da pintura regionalista brasileira.
Almeida Júnior retornou ao Brasil em 1882, realizando sua primeira mostra individual na AIBA. No ano seguinte, abriu um ateliê na capital paulista, onde se dedicou a pintar retratos, paisagens e outras obras encomendadas pelos barões do café. O verismo intimista de suas obras fez grande sucesso, contrapondo-se ao romantismo afetado da arte pompier, então predominante no colecionismo da burguesia paulistana.
Em seu ateliê, Almeida Júnior ajudou a formar toda uma nova geração de artistas — nomeadamente Pedro Alexandrino, que se notabilizaria como pintor de naturezas-mortas. Em 1884, voltou a expor na AIBA e foi condecorado com o título de Cavaleiro da Ordem da Rosa. No ano seguinte, recusou convite de Victor Meirelles para assumir sua vaga de professor de pintura histórica na AIBA, preferindo permanecer em São Paulo.
Na última década do século 19, Almeida Júnior voltou-se quase que exclusivamente para a temática regionalista, produzindo obras sob a influência do realismo de Gustave Courbet e Camille Corot, rompendo com a rigidez formal da arte acadêmica em favor de uma abordagem pictórica naturalista.
O pintor transformou em personagens centrais de sua obra o trabalhador do campo, o caboclo, o caipira miscigenado, retratando-os em cenários verossímeis, pobres e simplórios, sem, entretanto, ridicularizá-los ou submetê-los ao papel de caricatura. Também adequou suas composições aos aspectos nacionais, distanciando-se das convenções eurocêntricas. Sua palheta tornou-se mais luminosa e suave e as composições demonstravam uma gestualidade livre.
Almeida Júnior faleceu aos 49 anos em Piracicaba, em 13 de novembro de 1899, após ser apunhalado por seu primo, José de Almeida Sampaio, marido de Maria Laura do Amaral Gurgel, com quem o artista mantinha um relacionamento secreto.
Almeida Júnior é considerado por muitos como o primeiro representante do caráter nacional da pintura brasileira, antecipando em décadas as iniciativas dos pintores da primeira geração modernista que visavam adaptar as influências estéticas europeias para criar uma arte nacional genuína, tais como Di Cavalcanti e Tarsila do Amaral (pupila de seu aluno, Pedro Alexandrino).
Assessoria/Raissa Neves/Caminho Político
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