A Justiça do Rio de Janeiro condenou o ex-deputado federal Roberto Jefferson a indenizar a agente da Polícia Federal (PF) Karina Lino Miranda de Oliveira, ferida no ataque a tiros e granadas ocorrido em 23 de outubro de 2022. A decisão, proferida no âmbito cível, responsabiliza financeiramente o político pelos danos físicos e psicológicos causados à policial durante o cumprimento de um mandado de prisão expedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A condenação é o mais recente desdobramento judicial de um dos episódios mais violentos da política brasileira recente contra agentes do Estado. Na ocasião, a agente Karina Lino integrava a equipe da PF deslocada até a residência de Jefferson, localizada em Comendador Levy Gasparian, no interior fluminense. O objetivo era prendê-lo por descumprimento reiterado de medidas cautelares da sua prisão domiciliar. Como noticiado pela Fórum no dia do ataque, o ex-parlamentar resistiu à ordem judicial abrindo fogo contra a viatura e lançando explosivos contra a equipe, deixando dois policiais feridos.
A dinâmica do ataque contra a Polícia Federal
O processo cível movido pela agente tramitava desde 2023 no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). O ataque ocorreu no momento em que a equipe cumpria a ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) que revogou a prisão domiciliar de Jefferson após sucessivos descumprimentos de medidas cautelares. Nos autos da ação indenizatória, a defesa da policial detalhou os impactos da emboscada. A equipe da PF era composta pelo delegado Marcelo André Côrtes Villela, pelo escrivão Daniel de Queiroz Mendes da Costa e pelos agentes Heron Costa Peixoto e Karina Lino Miranda de Oliveira.
A denúncia do Ministério Público Federal (MPF) aponta que Roberto Jefferson monitorou a chegada dos agentes pelo sistema de câmeras de segurança de sua casa. Sem qualquer aviso prévio ou tentativa de diálogo, o ex-deputado disparou dezenas de vezes com uma carabina calibre 5.56 e lançou três granadas de efeito moral. Os artefatos haviam sido adulterados com pedaços de fita adesiva e pregos para aumentar o poder de fragmentação e letalidade. Karina Lino sofreu ferimentos causados por estilhaços no rosto e na perna, precisando de atendimento hospitalar imediato. O delegado Villela, atingido na cabeça, também necessitou de socorro médico de urgência.
A gravidade da cena exigiu o acionamento do Grupo de Pronta Intervenção (GPI) da Polícia Federal e cerca de 14 horas de negociação até a rendição do político. Em depoimento prestado no dia seguinte, Jefferson admitiu o uso de granadas e fuzil contra os agentes federais, alegando, no entanto, que não atirou com a intenção de matar, mas apenas para “assustar” a equipe policial.
Perícia apontou preparação de “bunker”
As investigações posteriores revelaram que a ação armada não foi um mero rompante momentâneo. Laudos periciais anexados aos processos detalharam um alto nível de premeditação. A Polícia Federal identificou que Jefferson montou uma espécie de “bunker” em sua casa logo após gravar e divulgar um vídeo com ataques misóginos contra a ministra Cármen Lúcia, do STF — fato que serviu de estopim para a revogação de sua prisão domiciliar.
A perícia técnica criminal contabilizou mais de 60 marcas de tiros disparados de dentro para fora da residência, reforçando a tese da acusação de que houve intenção letal contra os servidores. A exposição ao risco de morte e as sequelas físicas e mentais do ataque fundamentaram o pedido de indenização que agora foi acatado pela Justiça fluminense.
Da repercussão eleitoral ao Tribunal do Júri
O ataque armado ocorreu a uma semana do segundo turno das eleições presidenciais de 2022, gerando uma crise imediata no entorno da campanha de Jair Bolsonaro (PL), de quem Jefferson era aliado histórico. O episódio evidenciou o grau de radicalização política daquele pleito. Enquanto o núcleo duro do governo tentava se distanciar do atirador, a Fórum registrou a solidariedade pública prestada pelo então candidato Luiz Inácio Lula da Silva aos policiais baleados, ressaltando a gravidade de um atentado contra servidores no exercício da função.
Na esfera penal, o ex-parlamentar virou réu por quatro tentativas de homicídio qualificado (referentes aos quatro agentes que integravam a equipe), resistência armada, posse irregular de arma de fogo de uso permitido e restrito, além de posse de artefatos explosivos sem autorização. Em setembro de 2023, a Justiça Federal determinou que Roberto Jefferson seja levado a júri popular pelos crimes cometidos.
Na frente criminal, Roberto Jefferson aguarda em prisão domiciliár a marcação da data do seu julgamento pelo Tribunal do Júri. A 4 de março de 2026, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou o recurso da defesa e confirmou que o ex-deputado será mesmo submetido a júri popular pelas tentativas de homicídio contra os agentes da PF.
Assessoria/Caminho Político
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