A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) publicou um vídeo nas redes sociais para enquadrar Deltan Dallagnol e expor as vísceras da Operação Lava Jato. Ao rebater uma provocação do ex-procurador, a parlamentar trouxe à tona fatos documentados que assombram o legado de Curitiba, como a cassação de Dallagnol no TSE e as graves suspeitas envolvendo o recém-promovido Januário Paludo. No vídeo, Gleisi utiliza a própria trajetória jurídica para marcar o contraste entre os personagens, lembrando que foi absolvida por unanimidade em todas as instâncias enquanto seus algozes enfrentam a derrocada institucional e política.
“Ficha suja” e a fraude à Lei da Ficha Limpa
Um dos pontos centrais da fala de Gleisi é a situação eleitoral de Dallagnol. A deputada recordou que o ex-procurador é, tecnicamente, um “ficha suja”. Em maio de 2023, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou o registro de candidatura de Deltan por unanimidade. A decisão apontou que ele burlou a lei ao pedir exoneração do Ministério Público para escapar de 15 procedimentos disciplinares que poderiam torná-lo inelegível. Gleisi reforça que Dallagnol “fugiu da justiça” para tentar garantir um mandato (movimento que a Corte Eleitoral classificou como fraude). O enquadramento de “deputado cassado” serve para desidratar a autoridade moral que o ex-membro do Ministério Público Federal tenta projetar no debate público.
O “cúmplice” Januário Paludo e a sombra de Dario Messer
A reação de Gleisi foi motivada pela defesa que Dallagnol fez de Januário Paludo, promovido a subprocurador-geral da República apesar de seu histórico controverso. A deputada resgatou o caso de Dario Messer, o “rei dos doleiros”, que em delação premiada afirmou pagar uma mesada para Paludo em troca de proteção e informações privilegiadas. A promoção de Paludo é vista pela presidente do PT como um sinal institucional perigoso, uma vez que premia um dos nomes mais citados em episódios de suposta conduta irregular dentro da força-tarefa de Curitiba. A conexão entre a promoção atual e os escândalos do passado é o eixo do contra-ataque da parlamentar.
A fundação de R$ 2,5 bilhões: o conluio exposto pela PF
Gleisi também tocou na ferida aberta pela recente correição do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A investigação apontou um conluio entre os procuradores da Lava Jato e o ex-juiz Sergio Moro para desviar R$ 2,5 bilhões da Petrobras para uma fundação privada que seria gerida pelo próprio grupo da operação. O relatório da Polícia Federal detalhou o plano que a deputada classifica como a verdadeira face da força-tarefa. Segundo a parlamentar, a Lava Jato operou como um “teatro político” com objetivos financeiros. Ela vinculou a atuação do grupo à destruição de 4 milhões de empregos e à farsa montada para impedir a candidatura do presidente Lula em 2018, tese que ganhou força após as anulações de sentenças pelo STF.
Vitória no STF marca o contraste de narrativas
Para selar o embate, a deputada utilizou suas próprias vitórias no Judiciário como prova de resistência. Enquanto Dallagnol foi cassado por fraude, Gleisi foi absolvida por unanimidade pelo STF na Ação Penal 1003 e viu todas as denúncias armadas pela Odebrecht serem sumariamente rejeitadas. A mensagem final de Gleisi (de que “o que é de vocês está guardado”) sinaliza que os desdobramentos das investigações do CNJ e da Polícia Federal ainda podem trazer novas consequências jurídicas para a cúpula da antiga operação. O vídeo funciona como um enquadramento político que desloca a Lava Jato do lugar de combate à corrupção para o de passivo institucional.
Assessoria/Diego Feijó de Abreu/Revista Forum/Caminho Político
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