Vítima da ditadura do Irã narra momentos de terror do regime islâmico: “Fui torturada por me recusar a colocar um véu na cabeça”

Vítima da ditadura do Irã narra momentos de terror do regime islâmico: “Fui torturada por me recusar a colocar um véu na cabeça“.
Marzieh Ebrahimi tinha 25 anos quando foi atacada com ácido na cidade de Isfahan, no Irã, em 2014. O crime ocorreu durante uma série de ataques contra mulheres na região, em meio a discursos públicos sobre o cumprimento obrigatório do hijab, o véu islâmico imposto por lei no país. Anos depois, ao falar em um evento na Universidade Amir Kabir, Ebrahimi relembrou o momento do ataque: “Eu nunca os vi. Não sei como eles são. Não sei quantos anos têm. Mas sei muito bem de uma coisa: eu quero falar com eles. Quero vê-los e olhar nos olhos deles e perguntar: ‘Por quê? Por que um ataque com ácido? Por que eu?’ ”.
Na época dos ataques, ao menos quatro mulheres foram vítimas de agressões semelhantes em Isfahan. Os casos ocorreram após declarações públicas do aiatolá Yousef Tabatabaei-Nejad, representante do líder supremo no município, que afirmou: “Dar um aviso não é mais suficiente. Devemos levantar o bastão e usar a força para combater o mau hijab”. As investigações sobre os responsáveis pelos ataques não resultaram em condenações.
Antes do atentado, Marzieh trabalhava como parteira em um hospital. Seu irmão declarou ao jornal Etemad meses após o crime: “Marzieh tem apenas 25 anos. Ela era parteira em um hospital antes de tudo isso acontecer. Ela tinha planos. Graças a Deus, ela ainda está motivada. Mas não é a mesma; ela não vive a vida com a mesma paixão e entusiasmo de antes”.
Com o tempo, Ebrahimi decidiu tornar pública sua história e passou a atuar para pressionar por mudanças na legislação. “Fui torturada por me recusar a colocar um véu na cabeça, mas falei que não queria permanecer uma vítima. Queria reagir”, afirmou.
Em 2019, ela e outras vítimas foram ao Parlamento iraniano para pedir medidas mais duras contra ataques com ácido e restrições à venda da substância. Na ocasião, declarou: “Em nome de quatro vítimas de Isfahan, informo que até agora não recebemos uma resposta e não houve punição. Já se passaram cinco anos desde o incidente. Não estou aqui para reclamar, mas para pedir seu apoio para aumentar a punição para esse crime e diminuir a probabilidade de ataques com ácido”.
Sobre a punição aos responsáveis, Ebrahimi afirmou que não defende execução. “Não quero qisas ou execução. Quero que o agressor seja preso para o resto da vida. Violência não deve ser respondida com mais violência.”
Em 2020, após novas declarações de Tabatabaei-Nejad sobre mulheres que não usam o véu, ela voltou a se manifestar nas redes sociais: “Naqueles dias , o medo tomou conta de toda a cidade. Medo de sair, medo das ruas. Era isso que queriam. E está acontecendo de novo. É nosso direito caminhar pelas ruas da nossa cidade sem medo. É nosso direito viver sem terror. Não somos reféns. Somos cidadãs”.
Assessoria/M5PORTS BR/Caminho Político
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