A ex-secretária de Estado e ex-primeira-dama dos Estados Unidos, Hillary Clinton, acusou o presidente Donald Trump de orquestrar um “acobertamento” em relação aos arquivos do financista Jeffrey Epstein, condenado por exploração sexual. “Divulguem os arquivos. Eles estão deliberadamente atrasando a divulgação”, disse Hillary em entrevista à emissora BBC, publicada na segunda-feira, 16. O Departamento de Justiça divulgou no mês passado o último lote dos chamados “arquivos Epstein”: mais de três milhões de documentos, fotos e vídeos relacionados à investigação do financista, condenado em 2008 por aliciar uma menor para fins sexuais e encontrado morto na prisão em 2019 enquanto aguardava um novo julgamento.
O marido de Hillary, o ex-presidente Bill Clinton, aparece frequentemente nos documentos, mas não há evidências que o impliquem em atividades criminosas.
Clinton e Hillary foram intimados a depor pessoalmente e a portas fechadas perante o Comitê de Supervisão da Câmara, que investiga as ligações de Epstein com figuras poderosas e como as informações sobre seus crimes foram tratadas.
“Compareceremos, mas acreditamos que seria melhor se fosse público”, disse Hillary à BBC. “Só quero que seja justo. Quero que todos sejam tratados da mesma forma.”
Segundo Hillary, os republicanos que a investigam estão tentando desviar o foco de Trump, cujo nome também aparece frequentemente nos arquivos.
“Vejam só esse alvo fácil. Estão atrás dos Clinton, até mesmo de Hillary, que nunca conheceu o sujeito”, afirmou a ex-secretária de Estado. Trump nega qualquer irregularidade. A mera menção a ele nos arquivos não constitui prova de que tenha cometido um crime.
Clinton admitiu ter viajado no avião de Epstein no início dos anos 2000 para trabalhos humanitários relacionados à Fundação Clinton, mas afirmou que nunca visitou a ilha particular de Epstein.
Hillary, que perdeu a eleição presidencial de 2016 para Trump, disse que não teve interações significativas com Epstein, nunca viajou em seu avião e nunca visitou sua ilha.
Na entrevista à BBC, ela afirmou ter se encontrado com Ghislaine Maxwell, cúmplice e ex-companheira de Epstein, condenada por conspirar com ele para abusar sexualmente de menores, “em algumas ocasiões”.
Em resposta ao comentário de Hillary de que o depoimento no Congresso seria uma distração, Trump negou e disse a repórteres, na noite de segunda-feira, que havia sido “totalmente exonerado”.
Hillary deporá em 26 de fevereiro, enquanto Clinton deporá em 27 de fevereiro.
Com informações da AFP/Caminho Político
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