10 PROJETOS APRESENTADOS: Do tráfico aos crimes digitais: pacote anticrime de Coronel Assis quer fechar brechas da lei

Coronel Assis protocolou um Pacote Legislativo composto por 10 projetos de lei, voltados ao fortalecimento da segurança pública, ao enfrentamento ao crime organizado, à proteção de mulheres, crianças e consumidores.
O deputado federal por Mato Grosso, Coronel Assis (União) protocolou nesta terça-feira (03) na Câmara dos Deputados um amplo pacote legislativo voltado ao enfrentamento direto do crime organizado e ao fortalecimento da segurança pública no país.
Batizado informalmente de “pacotão do combate ao crime”, o conjunto reúne 10 projetos de lei que tratam desde o narcotráfico e o financiamento de organizações criminosas até a proteção de mulheres, crianças, consumidores e vítimas de crimes, além do uso estratégico da tecnologia no ambiente digital e nas fronteiras.
As propostas compõem uma agenda integrada que, segundo o parlamentar, busca modernizar o ordenamento jurídico, fechar brechas exploradas pelo crime e reposicionar o Estado de forma mais preventiva e eficiente diante de novas dinâmicas criminosas.
Um dos eixos centrais do pacote é o endurecimento do combate ao tráfico de drogas. Um dos projetos altera a Lei Antiterrorismo para tipificar o chamado narcoterrorismo, reconhecendo que, em determinadas regiões, o tráfico deixa de ser criminalidade comum e passa a empregar métodos de terror social, com violência extrema, controle territorial e intimidação coletiva. A proposta prevê tratamento penal mais rigoroso para essas condutas, entendidas como ameaça direta à ordem pública e à autoridade do Estado.
Outro projeto mira o aspecto econômico do crime organizado, alterando o Código de Processo Penal e leis específicas para garantir que bens, valores e direitos apreendidos sejam prioritariamente destinados à reparação das vítimas, e não automaticamente a fundos públicos. A iniciativa busca evitar que vítimas tenham de recorrer novamente à Justiça cível para reaver valores já confiscados pelo Estado.
No campo político-eleitoral, Coronel Assis propõe mudanças na Lei da Ficha Limpa para tornar inelegíveis candidatos com vínculo com organizações criminosas, milícias ou grupos paramilitares. A medida se alinha à jurisprudência recente do Tribunal Superior Eleitoral e tem como objetivo proteger a soberania popular da influência direta de grupos criminosos no processo eleitoral.
Com experiência no comando do Grupo Especial de Fronteira (Gefron) a segurança nas fronteiras também ganha destaque. Um dos projetos cria o Sistema Nacional de Rastreabilidade de Ativos Logísticos em Zonas de Fronteira (SINRAL), que prevê monitoramento digital e inteligente de fluxos logísticos sensíveis, sem vigilância indiscriminada da população.
A proposta aposta em tecnologia, integração de dados e deveres de compliance para empresas que operam em áreas estratégicas, com foco no combate ao tráfico de drogas, armas e contrabando.
Já na prevenção de crimes violentos, o pacote propõe a criação do Sistema Nacional de Alerta por Comportamento Atípico Reincidente (SINACAR). O sistema permitirá a integração qualificada de bases de dados estatais para identificar padrões objetivos de risco, de forma preventiva e institucional, sem criar cadastros repressivos ou violar garantias constitucionais.
Outro ponto destacado no pacote é o combate ao financiamento das facções. Um dos projetos altera a Lei das Organizações Criminosas para autorizar, mediante decisão judicial, a interceptação de movimentações bancárias em tempo real, instrumento considerado mais eficaz do que a simples quebra de sigilo bancário, especialmente diante da rapidez das operações financeiras e do uso de fintechs para lavagem de dinheiro.
A proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital também integra o conjunto. Um projeto altera o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente para reforçar mecanismos de prevenção e combate à exploração sexual online, diante do crescimento expressivo desse tipo de crime no Brasil, conforme dados de entidades especializadas.
No enfrentamento à violência doméstica, duas propostas se complementam. Uma delas institui um protocolo verbal de pedido de socorro, permitindo que mulheres sinalizem risco de forma auditiva, inclusive em atendimentos remotos de saúde. A outra altera a Lei Maria da Penha para obrigar bancos e instituições de pagamento a disponibilizarem um botão de emergência em aplicativos financeiros, aproveitando a ampla capilaridade do mobile banking no país.
Fechando o pacote, Coronel Assis propõe mudanças no Código de Defesa do Consumidor para aumentar a transparência e a segurança nos pagamentos digitais. O projeto exige que plataformas de intermediação informem, de forma clara e prévia, os dados completos do vendedor, garantindo rastreabilidade das transações e maior proteção contra fraudes no comércio eletrônico.
Com o pacote já protocolado, as propostas começam agora a tramitar no Congresso Nacional. O deputado defende que a aprovação do conjunto representará um salto na capacidade do Estado brasileiro de enfrentar o crime organizado, proteger vítimas e adaptar a legislação aos desafios contemporâneos da segurança pública e do mundo digital.
Assessoria/Caminho Político
📢 Jornalismo profissional e de qualidade. Acompanhe as últimas notícias de Cuiabá, de Mato Grosso, de Brasil e do Mundo.
📲 📰 💻Siga o Caminho Político nas redes sociais 💻
🌐www.caminhopolitico.com.br
🌐www.debatepolitico.com.br

Comentários