"Párocos, franciscanos, ex-núncios: os treze novos cardeais de Francisco ampliam as fronteiras do Colégio cardinalício"


No sétimo consistório de seu pontificado, o Papa não só supera, como agora já é costume, as práxis das sés cardinalícias, mas também concede a indicação a padres não bispos. Treze novos cardeais, dos quais seis são italianos e quatro com mais de oitenta anos, entre os quais párocos, franciscanos, núncios aposentados, ex-diretores da Caritas e também o pregador da Casa Pontifícia, ou vindos de terras de missão da África e da Ásia.
Francisco expande e revoluciona o Colégio Cardinalício, com o anúncio de um novo Consistório - o sétimo de seu pontificado, praticamente um por ano - para o próximo dia 28 de novembro. É difícil prever no momento, considerando os dados mais recentes sobre as infecções de Covid, se a celebração poderá acontecer no Vaticano. Uma alternativa possível é que os novos cardeais recebam os barretes vermelhos dos núncios de seus respectivos países.
A lista dos treze novos cardeais, anunciada hoje no Angelus, evidencia a vontade do Papa argentino de mudar o equilíbrio do Colégio Cardinalício, que se torna mais internacional e complexo. Enquanto há quem ainda, depois de sete anos, e principalmente na Itália, se lamente da superação da tradição - e não regra - das sés cardinalícias (Milão, Veneza, Turim), Francisco quer a maioria dos eleitores convocados no futuro Conclave para eleger o seu sucessor seja o mais próxima e sensível ao programa de reformas realizado durante o pontificado. Portanto, à atenção aos pobres e aos migrantes, à sensibilidade pastoral, à experiência da igreja das ruas.
Nesse sentido, destacam-se as nomeações de dois dos italianos: Dom Augusto Paolo Lojudice e Dom Enrico Feroci (o primeiro eleitor, o segundo com mais de oitenta anos), ambos da Diocese de Roma. Lojudice, nos anos 1990 foi pároco em áreas difíceis de Roma como Tor Bella Monaca ou o distrito de Prenestino, desde 2015 havia sido nomeado bispo auxiliar de Roma e também secretário da Comissão Episcopal para as Migrações da CEI. Até à nomeação em maio do ano passado como arcebispo de Siena, estava empenhado na pastoral das zonas de periferia da capital, com especial enfoque na integração de nómadas e ciganos.
A indicação do octogenário Feroci, "dom Enrico" para todos os que o conheceram e o apreciaram na Caritas e no vicariato de Roma, deve ser vista como um sinal de gratidão pelos nove anos de serviço como Diretor do organismo diocesano. Tarefa encerrada em 2018, ano em que se tornou pároco do famoso Santuário Mariano do Divino Amor, do qual já liderava a Comunidade dos Oblatos no ano anterior. Alguns em Roma consideram sua indicação como um resgate por sua não ordenação episcopal, que parece nunca ter sido aceita pelo cardeal Camillo Ruini.
A presença de três franciscanos - capuchinhos e conventuais - também deve ser registrada na lista dos novos cardeais. O primeiro é o capuchinho Celestino Aos, nomeado no ano passado para dirigir Santiago do Chile. Barba branca e um passado como psicólogo, Aos foi enviado pelo Papa à cidade chilena para fazer a intervenção na arquidiocese atormentada por escândalos de abusos do clero. O sacerdote permaneceu por um ano como administrador apostólico de Santiago após a tempestuosa renúncia do cardeal Ricardo Ezzati Andrello, tornando-se depois seu arcebispo metropolitano em dezembro de 2019 e, portanto, do Chile.
Em seguida vem frei Mauro Gambetti, conventual franciscano, custódio do Sagrado Convento de Assis, para o qual se esperava nas últimas semanas uma nomeação como arcebispo em lugares importantes como Nápoles ou Bari. Em vez disso, o Papa quis inserir o seu nome entre os dos novos cardeais, também como reconhecimento para a cidade de Assis, berço do Santo de quem tomou o nome, visitada quatro vezes. A última para assinar a encíclica "Fratelli tutti".
O terceiro no Colégio Cardinalício é o Padre Raniero Cantalamessa, teólogo capuchinho, famoso e apreciado pregador da Casa Pontifícia desde os anos 1980, sob três pontificados. Vindo do movimento carismático, poucas apresentações são necessárias para ele: falam seus sermões, sempre inovadores e nunca banais, proferidos perante o Papa e a Cúria durante a Quaresma e o Advento.
São sempre três nomeações "curiais" no Consistório 2020. Entre os eleitores, Mario Grech, bispo da diocese maltesa de Gozo, que há menos de um mês sucedeu ao Cardeal Baldisseri como Secretário Geral do Sínodo dos Bispos, e Marcello Semeraro, o ex-bispo de Albano e secretário-geral do Conselho dos Cardeais (atual C7), homem de comprovada confiança do Pontífice, que Francisco colocou há dez dias à frente da Congregação para as Causas dos Santos, em sucessão ao defenestrado Cardeal Angelo Becciu no final de setembro sob a acusação de peculato. Uma indicação, esta sua, dada como certa já há algum tempo.
Entre os quatro octogenários estão também Monsenhor Silvano Tomasi, prelado de Vicenza e ex-núncio em Djibouti, Etiópia e Eritreia, ex-observador do Vaticano na ONU em Genebra e, na Cúria, secretário do Pontifício Conselho para os Migrantes e Justiça e Paz. O Papa Francisco valeu-se de sua experiência diplomática para resolver a grave crise com a Ordem de Malta em 2017-18, tanto que muitos pensaram que ele se tornaria o delegado especial da Santa Sé na Ordem. Hipótese não excluída com a recente saída de Becciu que havia assumido esse encargo como substituto da Secretaria de Estado.
No cenário internacional, destaca-se a primeira nomeação a cardeal em territórios como Brunei e Ruanda, respectivamente com os futuros cardeais Cornelius Sim e Antoine Kambanda, e o segundo cardeal nas Filipinas além de Tagle, José Fuerte Advincula, arcebispo de Capiz.
A nomeação a cardeal também parecia certa para Monsenhor Wilton Gregory, primeiro arcebispo afro-americano a chefiar a importante arquidiocese de Washington, deixada vaga pelo cardeal Donald Wuerl, que renunciou após a crise gerada pelo escândalo McCarrick. Gregory se destacou no ano passado por sua postura dura, durante os protestos do Black Lives Matter, contra o gesto do presidente Donald Trump de brandir uma Bíblia em frente ao Santuário Nacional dedicado a João Paulo II, logo após os manifestantes terem sido reprimidos com gás lacrimogêneo. O futuro cardeal havia definido "desconcertante e repreensível" que "qualquer instituição católica aceite ser manipulada".
Atualmente são 219 cardeais, 120 dos quais (excluindo o cardeal Angelo Becciu, de quem o Papa revogou as prerrogativas do cardinalato) têm direito a voto em um eventual conclave.
Com o Consistório de 28 de novembro, portanto - se não ocorrerem renúncias ou falecimentos - os cardeais passarão a 232, dos quais 128 são eleitores, oito a mais que o limite máximo estabelecido por Paulo VI em 1975 com a "Ingravescentem Aetatate", porém ultrapassado várias vezes pelos Pontífices seus sucessores.
Haverá 120 eleitores novamente em cerca de quinze meses. Em 12 de novembro, por exemplo, o emérito de Washington Wuerl completará 80 anos. Com os treze cardeais anunciados hoje, os eleitores criados pelo Papa Francisco de 2013 até hoje chegam a 73, 39 por Bento XVI e 16 por João Paulo II. O maior número é de europeus, seguidos pelos latino-americanos.
A reportagem é de Salvatore Cernuzio, publicada por Vatican Insider e Caminho político. A tradução é de Luisa Rabolini. Edição: Régis Oliveira. Foto: Ilust. @caminhopolitico #caminhopolitico

Comentários