Empresário libanês arrematou item em leilão para evitar que ele "caísse em mãos erradas”. Agora, acessório e outros objetos que pertenceram a líderes nazistas vão fazer parte do acervo de instituição israelense. Uma cartola que pertenceu a Adolf Hitler, assim como outros objetos de hierarcas do regime nazista que foram arrematados por um empresário de origem libanesa baseado na Suíça vão passar a fazer parte do acervo do Memorial do Holocausto Yad Vashem, em Israel.
Inicialmente, a cartola e outros objetos foram doados para a associação Keren Hayesod, um grupo israelense de coleta de fundos, que agora decidiu encaminhá-los para o museu.
"Podiam cair nas mãos erradas, não tinha outra opção, que não ajudar. Tentei impedir o leilão, mas como não pude, comprei algum dos objetos", explicou Abdalah Chatila. A cartola de Hitler foi adquirida por 50 mil euros.O presidente do museu, Avner Shalev, reconheceu que se trata de artigos "muito sensíveis", mas que a intenção de tê-los na coleção é, justamente, evitar que sejam obtidos por neonazistas.
Chatila explicou que todos os objetos ainda estão na Alemanha e chegarão até o fim do ano em Israel, quando terminar o processo de verificação, assim como os trâmites burocráticos necessários para o transporte.
Aos 45 anos, ele dirige um negócio multimilionário de joalheira em Genebra e declarou que gostaria de ter comprado mais itens, mas não conseguiu vencer todos os lances do leilão, que foi organizado pela casa Hermann Historica, baseada na Baviera. O certame foi alvo de críticas de associações judaicas, que consideraram o leilão uma oportunidade para alguns "glorificarem os nazistas".
Além da cartola, ele também adquiriu um exemplar do livro Mein Kampf (Minha Luta) que teria pertencido a Hermann Göring, um dos principais líderes do partido nazista. Preço: 130 mil euros.
Quando Chatila anunciou que pretendia doar os objetos, o presidente da Associação Judaica Europeia, o rabino Menachem Margolin, declarou que ficou "positivamente surpreso" com o gesto do empresário.
"Em um mundo cínico, [temos] um verdadeiro ato de bondade, de generosidade e solidariedade", disse.
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