O drama enfrentado pela jornalista de Foz está longe de ser uma situação isolada. Uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), de 2017, demonstra que metade das mulheres que têm filhos perdem o emprego em até dois anos depois da licença-maternidade. Diante disso, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná (SindijorPR) reforça sua posição em defesa da igualdade de oportunidades de gênero, raça e diversidade, e entende que esta prática penaliza as mulheres, que acumulam jornadas em seus empregos, trabalho doméstico e cuidado com os filhos.
As profissionais jornalistas são protegidas pela ampliação da licença-maternidade para 180 dias (cláusula 33ª), com percepção de salário integral e estabilidade no emprego nesse período. No caso das mulheres demitidas após a licença-maternidade, se for possível comprovar que a demissão se deu em função do nascimento do filho, é possível pleitear judicialmente uma indenização por ato discriminatório. O mesmo vale para casos em que as empresas anunciam vagas de emprego para “mulheres sem filhos”- ato flagrantemente ilegal. No entanto, já fragilizadas em função do desligamento do trabalho no momento em que mais necessitam, muitas mulheres optam por não usar os meios legais – fato muitas vezes desencorajado pelos próprios advogados diante da dificuldade de comprovar a real causa da demissão.
A diretora de interior do SindijorPR Aline Rios destaca que não é só a demissão pós licença-maternidade que assombra as mulheres jornalistas. “Elas são as que menos têm sido promovidas aos cargos de chefia, além de estar ocorrendo uma masculinização das redações. Por outro lado, a demissão é apenas uma das faces deste problema, tendo em vista que entre as empresas que optam por ‘manter’ as profissionais trabalhando, uma parte considerável costuma praticar assédio moral na tentativa de fazer com que essas mães se desliguem do emprego ‘espontaneamente’ após a licença. Mas, também não são raros os casos de jornalistas que enfrentam assédio no trabalho mesmo durante a gestação”.
Problema social
É importante destacar que a crescente redução da participação feminina no mercado de trabalho após o nascimento dos filhos é um problema social que possui outras implicações. A ausência de políticas públicas eficientes – como a garantia plena de vagas em creches públicas para crianças menores de um ano – é um exemplo disso.
O fato de a sociedade em geral ainda não compreender a criação dos filhos como uma tarefa a ser compartilhada entre a família e não somente pela mãe é outra dificuldade. “É muita carga para a mulher que quase sempre é quem precisa faltar ao trabalho quando um filho adoece, por exemplo. Os homens, ao contrário disso, não são vistos como um ‘problema’ após se tornarem pais”, expõe a diretora Rios.
Nesse sentido, é necessário destacar o esforço pela ampliação da licença-paternidade – uma luta do SindijorPR – e que é somente um passo para tentar produzir alguma mudança nesse cenário.
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