"Líder do PHS rejeita discussão de privatizações este ano e defende regulamentação de escola domiciliar"

Homenagem ao Dia Nacional do Perdão. Dep. Pastor Eurico (PHS - PE)Novo líder do Partido Humanista da Solidariedade (PHS), o deputado Pastor Eurico (PE) é contra a discussão de privatizações de empresas públicas em ano eleitoral, pela controvérsia que o tema envolve. Segundo o parlamentar, a legenda defende, por exemplo, projetos ligados à defesa do nascituro, à chamada “escola sem partido” e a regulamentação da escola domiciliar – o direito de pais educarem seus filhos em casa.

Nascido em Presidente Prudente (SP), em 1962, Eurico é pastor da Igreja Evangélica Assembleia de Deus e comunicador de rádio. Antes de ser filiado ao PHS, foi do PSB, entre 2010 e 2016. Ele exerce seu segundo mandato na Câmara dos Deputados e assume a liderança do PHS no lugar do deputado Diego Garcia (PR).
Qual a prioridade da bancada para este ano?
Em ano eleitoral, tudo se complica um pouco, porque há temas que interessam à sociedade; há temas que não interessam. Então, hoje, se o governo tenta votar alguma coisa que a população não apoia, nós vamos ter dificuldade entre os parlamentares. Há aqueles que votam com o governo independentemente de qualquer coisa, há outros que não votam. As prioridades do PHS são aqueles projetos que são bons, positivos para a sociedade. Nós estamos, como partido, numa oposição ao governo. Não oposição por oposição, simplesmente ser contrário a tudo. Não vamos jamais nos juntar à oposição que não vota nada, não concordamos com isso. A posição do PHS é: aquilo que for importante para a sociedade, independentemente de quem esteja no poder, vamos votar favorável.

Há muitos temas que estavam em evidência, que agora estão em stand by, como a questão da Previdência. Não sabemos se o tema vai ser enterrado, mas ele pode voltar a qualquer momento. A posição do PHS, em sua maioria, é contra a reforma da Previdência. Em relação a outros temas, que vão entrar em discussão agora, como as privatizações, há divergência na bancada: alguns são favoráveis, outros não. Particularmente não sou favorável a discutirmos neste momento privatizações. Acho que outros temas na área de saúde, segurança e educação devem ser priorizados.
Como a pauta da Câmara deve prosseguir neste ano eleitoral?
É muito complicado em ano eleitoral discutirmos alguns temas. Por exemplo, o PHS defende alguns temas, como a questão da vida, a defesa do nascituro; somos contrários a projetos ligados ao aborto. Por outro lado, também tem a questão da educação, em que temos lutado, por exemplo, pela escola sem partido. Devemos acabar com a história de catequizar as pessoas, nas escolas, para um segmento partidário. Escola não tem nada a ver com partido.

Defendemos também o home school, a escola domiciliar. Estamos enfrentando problemas, no Brasil, com os pais que querem educar seus filhos em casa, que podem ser penalizados na Justiça por estarem tirando o direito da criança de estar na escola. Ora, por que o pai não pode ensinar se ele tiver capacidade, condições, dentro daquilo que traça a Lei de Diretrizes e Bases da Educação? Nada melhor do que os próprios pais ensinarem as crianças. Por não termos uma legislação sobre o tema, as pessoas estão respondendo judicialmente por isso.
Temos alguns projetos sobre esse assunto discutidos aqui na Câmara, inclusive em comissão especial. Em abril, vamos voltar a discutir e ver se chegamos a um denominador comum, para termos uma legislação que dê respaldo aos pais que queiram educar seus filhos em casa. Isso é um dos temas que nós também defendemos.
E em relação à pauta econômica, deputado?
Estamos vivendo uma crise econômica, sabemos disso. Mas não podemos negar o que também é positivo: neste governo, independentemente da pessoa que está à frente dele, há algumas conquistas, melhorou alguma coisa, até porque, do jeito que estava, não tinha mais para onde ir.

Sobre a discussão das privatizações, é um tema complicado. Entendemos, pelo lado da economia, que poderia ajudar muito, mas a população não entende por esse lado. Então fica difícil para a gente, em ano de eleição, discutir o tema das privatizações, até porque a população não vai entender.
O grande problema com as privatizações é que, no governo anterior, foram criadas muitas empresas do governo, que eram para gerar lucros, mas a maioria dos cargos são políticos, e poucos se preocupam com as competências.
As empresas privadas funcionam porque as pessoas que estão no comando têm que produzir, têm que dar resultado, têm que dar lucro. E os que estão à frente das empresas do governo não estão muito preocupados com isso, e sim em se manter nos cargos, com altos salários. Cada pessoa defende o seu cargo e o seu salário, por isso que não funciona. Então a maioria das empresas do governo está trabalhando no vermelho, e o governo tem que ficar injetando recursos. Aí vem a questão: tem que privatizar. Mas a população cobra: vamos entregar, vender o que é do Brasil? Então, em ano eleitoral, é muito difícil chegarmos a um denominador comum em relação a essa particularidade.

Reportagem - Lara Haje
Edição - Marcia Becker

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