Segurança reforçada
A decisão que envolve o futuro de Lula tem enorme potencial para gerar confrontos nas ruas de Porto Alegre. Em consequência, a segurança em torno do prédio do TRF-4, nas proximidades do Guaíba, foi reforçada com um dispositivo que envolve 4 mil pessoas. Toda a área em torno do tribunal foi isolada, e o esquema de segurança inclui atiradores de elite (desarmados, no papel de observadores), 150 câmeras de vídeo, bloqueio aéreo e patrulhamento naval. Os órgãos públicos federais localizados no entorno do TRF-4 e a Câmara Municipal de Porto Alegre não terão expediente a partir das 12h desta terça-feira. A normalidade somente será restabelecida na manhã de quinta-feira. Durante esse período, o acesso ao local será restrito. A Secretaria de Segurança Pública definiu ainda que os movimentos sociais que planejam manifestações a favor de Lula vão ocupar o Anfiteatro Pôr do Sol, às margens do Guaíba, e a área logo em frente da Avenida Beira-Rio. Vários ônibus com apoiadores de Lula já chegaram ao local, vindos de diversos estados brasileiros.
O que está em jogo
Moro condenou Lula pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, mas a defesa recorreu da decisão e pede absolvição. O Ministério Público Federal (MPF) também recorreu e pediu o aumento da pena do ex-presidente. O MPF sustenta que Lula deve responder separadamente a cada acusação de corrupção que consta da sentença de Moro. O caso envolve a propriedade de um tríplex no Guarujá e o pagamento do aluguel de um depósito para armazenar os presentes recebidos por Lula durante seu governo. Juntos, o apartamento e o aluguel totalizaram 3,7 milhões de reais e caracterizariam o pagamento de propina pela empreiteira OAS. No caso do tríplex, o MPF afirmou que Lula seria o proprietário oculto do imóvel. Como provas, os procuradores apresentaram planilhas, depoimentos e recibos. Na sua sentença, Moro entendeu que as reformas executadas no apartamento pela empresa OAS provam que o imóvel era destinado ao ex-presidente. Além disso, o juiz entendeu que os recursos usados pela empreiteira foram desviados da Petrobras. O magistrado absolveu Lula por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do pagamento do aluguel do depósito, que somou 1,3 milhão de reais.
A defesa de Lula, no entanto, afirmou que o imóvel no Guarujá nunca pertenceu ao ex-presidente e sempre esteve em nome da OAS. O imóvel foi até mesmo penhorado no ano passado da OAS, num caso que envolve dívidas com a Caixa Econômica Federal. A defesa também negou qualquer pedido de reforma do apartamento pelo ex-presidente ou familiares.
AS/dw/abr/dpa/efe/cp
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