"Seguridade deve propor e acompanhar projetos em benefício de pessoas com Parkinson"

Deputados da Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados devem propor projetos de lei em benefício de pessoas com doença de Parkinson a partir de sugestões recebidas em audiência pública nesta quinta-feira (27). Os parlamentares ouviram médicos, representantes de associações de parkinsonianos e uma representante do Ministério da Saúde.
O deputado Eduardo Barbosa (PSDB-MG), autor do requerimento para a realização da audiência pública, afirma que a intenção da Câmara é trabalhar para que o Ministério da Saúde identifique as associações de parkinsonianos como parceiras no tratamento. Ele citou ainda a necessidade de dar mais agilidade à liberação de medicamentos importados, além da criação de um número de telefone gratuito para divulgar informações e tirar dúvidas sobre a doença de Parkinson. "São várias sugestões, que agora vamos transformar em projetos de lei e também vamos acompanhar projetos de lei já existentes e algumas indicações que devemos fazer ao Executivo forçando o governo a sair de uma visão omissa em relação ao tema”, afirmou Barbosa.

Impactos sobre a população
O Brasil tem 300 mil portadores da doença de Parkinson. Só no Distrito Federal são 3500. O Parkinson atinge uma em cada dez pessoas a partir dos 60 anos de idade e, diferentemente do que a maioria das pessoas pensa, a característica principal não é o tremor – ela é apenas o sintoma mais visível. Mas há outros, como lapsos de memória, dores, movimentos involuntários, insensibilidade olfativa e problemas intestinais.

O presidente da Associação Parkinson Brasília, Carlos Patto, que era piloto da FAB e foi diagnosticado com a doença aos 43 anos de idade, explica que metade dos parkinsonianos são invisíveis porque não saem de casa. "São quatro fases. A primeira é a da negação. Você sabe que tem Parkinson e nega. A segunda é a da revolta: sai chutando os armários de raiva. A terceira é a da depressão, que atinge metade dos doentes de Parkinson e às vezes é mais séria do que a própria doença. E a quarta e última fase é a da aceitação. O ideal é atingir a fase da aceitação. Quem não atinge normalmente são os que a gente chama de retraídos. Quase 50% dos portadores, quando sabem que tem Parkinson, se escondem, não saem de casa. Isso é péssimo porque a doença avança mais rápido", constata Patto.

Associações de apoio
Por esse motivo, a importância das associações de parkinsonianos é grande, pois serve de acolhimento aos doentes e de assistência e centro de informações. A relação da professora da USP Maria Elisa Pimentel com a Associação Brasil Parkinson (ABP) de São Paulo começou em 1993, quando ela fez um mestrado. Não havia serviço público que oferecesse fisioterapia a pacientes de Parkinson e a demanda era grande.

A pesquisa de Maria Elisa transformou-se num serviço que ainda hoje se mantém, com 280 doentes sendo atendidos por quatro fisioterapeutas e alunos do curso de residência em Medicina com especialização em neurologia. A ABP desonera o serviço público de saúde, mas não recebe contrapartida por isso. “Como essa associação é reconhecida apenas como uma associação filantrópica, ela não pode cobrar por esse serviço”, lamenta Maria Elisa. “Ela não pode receber, por exemplo, estagiários de outras instituições porque ela não é reconhecida como instituição de ensino. Eu acho que elas podem ser elevadas a um outro status e assim oferecer um suporte que infelizmente o serviço público hoje não dá conta."
O atendimento precoce é importante para frear o avanço dos piores sintomas e, dessa forma, preservar a capacidade funcional do paciente. O representante da Academia Brasileira de Neurologia, Nasser Allan, afirma que o atendimento a doença de Parkinson exige um atendimento multidisciplinar, com profissionais de neurologia, educação física, fisioterapia, nutrição, fonoaudiologia, psicólogos e terapeutas ocupacionais.
Promessas do governo
Durante a audiência pública, a coordenadora de Saúde da Pessoa Idosa do Ministério da Saúde, Maria Christina Hoffmann, afirmou que as sugestões apresentadas na audiência pública serão analisadas pelo ministério. Ela destacou que o Brasil hoje tem 26 milhões de idosos, que compõem 13% da população brasileira. As doenças crônicas não transmissíveis são as de maior prevalência entre as pessoas de mais de 60 anos. Maria Christina expôs algumas prioridades do governo, como melhorar a distribuição de medicamentos e o programa de atenção domiciliar.
Reportagem - Luiz Cláudio Canuto
Edição - Alexandre Pôrto

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