Miller é um conselheiro controverso, de declarações polêmicas e conhecido como um dos principais idealizadores das políticas de imigração de linha dura do governo americano. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (06/11) que seu vice-chefe de gabinete e arquiteto da rígida política de imigração de seu governo, Stephen Miller, será seu novo chefe de gabinete. A mudança ocorre após o Partido Republicano perder o controle da Câmara dos Representantes e do Senado depois de uma derrota expressiva nas eleições de meio de mandato e sinaliza que Trump se prepara para o confronto com os democratas, que já anunciaram que vão investigar o governo, incluindo o próprio Miller.
Miller substitui Susie Wiles, que ocupava o cargo desde o início do segundo mandato de Trump, em janeiro de 2025. Com a nomeação, Miller passa a ser o principal assessor do presidente.
Trump anunciou a mudança afirmando que Miller é "um dos meus conselheiros mais confiáveis" e acrescentou que Wiles fez um trabalho excepcional e passará a ocupar outro cargo no aparato político do presidente.
O chefe de gabinete é a peça fundamental para o funcionamento da Casa Branca e é a pessoa que controla a agenda e o acesso ao presidente.
Um dos assessores mais antigos de Trump
Miller, de 41 anos, é um dos conselheiros mais antigos de Trump e se uniu à campanha presidencial de 2016, então considerada improvável de vencer, como redator de discursos.
Embora sua atuação como vice-chefe de gabinete abrangesse diversas áreas, Miller é responsável sobretudo por políticas e pela retórica de Trump quando o tema é imigração.
Sua nomeação sinaliza que Trump pretende continuar com suas políticas de imigração de linha dura, apesar de os eleitores terem rejeitado os republicanos em várias partes do país.
Miller é conhecido por adotar posições controversas e é um dos defensores mais eloquentes do governo Trump. Ele aparece frequentemente na mídia para defender posições consideradas extremas.
Controverso e polêmico
Na área de imigração, Miller defendeu que agentes federais realizassem 3 mil prisões por dia e visassem imigrantes que vivem nos Estados Unidos há décadas. Ele é amplamente creditado por ajudar a ampliar o alcance de atuação do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE).
Na política externa, Miller defendeu os ataques extrajudiciais contra embarcações no Mar do Caribe, supostamente utilizadas por traficantes de drogas, e apoiou a operação militar do governo para capturar o então presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em janeiro.
Também em janeiro, Miller declarou à emissora CNN que os Estados Unidos tinham o direito de tomar a Groenlândia, depois de Trump ter dito que o controle do território dinamarquês era uma necessidade estratégica.
"Vivemos no mundo real, Jake, um mundo governado pela força, pelo poder e pela capacidade de imposição. Essas são as leis de ferro do mundo desde o início dos tempos", disse Miller ao apresentador da CNN Jake Tapper.
Miller também não poupou críticas aos opositores do governo. Durante a campanha das eleições de meio de mandato, chamou os democratas de "extremistas, aberrações e lunáticos que odeiam os Estados Unidos" nas redes sociais.
Ele também promoveu alegações de fraude eleitoral na Califórnia e no Alasca, que não foram comprovadas.
Após Trump perder o controle das duas casas do Congresso, Miller passou a ser apontado como um dos responsáveis por desenvolver, nos bastidores, uma estratégia de obstrução para que a Casa Branca bloqueie projetos de lei dos democratas. Trump aderiu à estratégia e declarou: "Acho que vou me tornar o Sr. Veto."
Democratas prometem lutar contra a agenda de Miller
Após o anúncio de Trump, o congressista democrata de Nova York Hakeem Jeffries, que poderá se tornar o próximo presidente da Câmara dos Representantes, publicou nas redes sociais que Miller era "um xenófobo perigoso e um extremista irresponsável que tem sangue americano nas mãos", em referência às mortes de cidadãos americanos em protestos contra operações do ICE.
O líder dos democratas no Senado, Chuck Schumer, afirmou que Trump "não aprendeu nada" após a derrota sofrida pelos republicanos nas eleições. "Stephen Miller é o arquiteto das políticas mais bárbaras e desumanas deste governo", disse Schumer, que deverá se tornar o líder da maioria no Senado em janeiro. "Trump não poderia ter feito escolha pior. Nossas maiorias democratas irão enfrentá-lo em cada passo do caminho", afirmou.
O congressista democrata Robert Garcia, da Califórnia, que deverá assumir a presidência da influente Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes, sinalizou que Miller será investigado pelo Congresso.
"Poucos dias depois de o povo americano ter rejeitado sua presidência corrupta e marcada pelo desrespeito à lei, Donald Trump redobra a aposta. Stephen Miller é o arquiteto das operações inconstitucionais do ICE que aterrorizaram nossas comunidades e resultaram no sequestro e na morte de cidadãos americanos e famílias imigrantes. É melhor que Stephen Miller contrate um advogado", declarou.
Assessoria/Jenipher Camino González/Caminho Político
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