A vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Lula (PT) no primeiro turno da disputa presidencial e a eleição de dezenas de parlamentares alinhados ao bolsonarismo para Câmara e Senado coincidiu com a redução expressiva da representação dos partidos da centro-direita e do chamado “centrão” . Principal algoz da direita radical, o PT registrou crescimento da bancada que divide, em federação, com PCdoB e PV, enquanto legendas como PSD, MDB e PSDB perderam cadeiras no Congresso . Para pesquisadores ouvidos pelo GSW Brasil , os resultados consolidam a calcificação de dois blocos majoritários na política brasileira, mas não indicam uma perspectiva de bipartidarismo no país.
Direita amplia, mas esquerda não retrai
Em termos partidários, o PL encerrou a votação de domingo, 4, como principal vitorioso. Além dos 2 milhões de votos que Flávio teve a mais que Lula, a sigla elevou sua bancada no Senado de 15 para 28 senadores e elegeu 121 deputados federais — maior bancada desde os 260 eleitos pelo PMDB, em 1986, quando a fragmentação partidária era menor.
Abrigo secundário do bolsonarismo, o partido Novo ampliou sua representação na Câmara com 10 eleitos e triplicou a bancada no Senado , onde terá três representantes .
Os números foram anabolizados por figuras jovens e populares da direita radical, como Nikolas Ferreira (PL-MG), Lucas Pavanato (PL-SP) — ambos superaram 3 milhões de votos, número recorde para o cargo — e André Fernandes (PL-CE), líderes de votação para a Câmara em seus estados e cujo alcance contribuiu para eleger correligionários.
A mesma fórmula impulsionou as bancadas da esquerda, ainda que em menor proporção na comparação com o bolsonarismo. A federação PT-PCdoB-PV fez 88 deputados federais, seis a mais do que na última eleição, e manteve uma bancada de nove senadores. Por sua vez, PSB e a federação PSOL-Rede reproduziram os resultados do pleito anterior, com 15 representantes cada na Casa Baixa do Congresso.
No campo, destacaram-se lideranças como Ana Elisa (PT-MG), com mais de 500 mil votos, e Erika Hilton (PSOL-SP), que superou a marca histórica de 1,5 milhão de eleitores. Ambas têm discursos mais combativos do que institucionais e ostentam forte engajamento nas mídias digitais.
Centro asfixiado
O campo da centro-direita, enfileirado por representantes tradicionais e líderes de uma política regionalizada, que mobiliza menos no ambiente digital do que pautas de caráter nacional, encolheu.
No Senado, o PSD caiu de 13 para 5 representante s, enquanto MDB, Podemos e PSDB perderam um parlamentar cada na Casa — terão bancadas de oito, dois e dois representantes, respectivamente. Na Câmara Federal, o Cidadania perdeu todos os seus cinco assentos, enquanto União Brasil foi de 59 para 46 deputados, PP, de 47 para 41, e MDB, de 42 para 36, sempre na comparação com a legislatura que se encerra.
Essas legendas ainda perderam protagonismo na discussão nacional. O PSD viu Ronaldo Caiado (PSD) conquistar 2,18% dos votos válidos e amargar a quinta posição na eleição presidencial, atrás de novatos como Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão), enquanto as demais optaram por não lançar candidatura própria ou sequer apoiar um dos nomes que disputavam o Palácio do Planalto — no segundo turno, parte delas devem se associar ao bolsonarista, como o próprio Caiado fez nesta semana.
Representação dividida
“Podemos caminhar para um Congresso dividido. Não em dois partidos, mas em algo parecido com dois blocos formais e grandes, à esquerda e à direita, com PT e PL como centros de gravidade ”, afirmou ao GSW Brasil Leandro Cosentino, professor de ciência política do Insper. “O avanço do PL sobre o ‘centrão’ é um aprofundamento da polarização nacional”, concluiu.
O avanço, aliás, não se restringiu às disputas pela Presidência e pelo Legislativo. Alinhados ao bolsonarismo, Cleitinho Azevedo (Republicanos), Luciano Zucco (PL) e Sergio Moro (PL) desbancaram o PSD dos governos de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná, respectivamente. O partido de Gilberto Kassab ainda disputa segundos turnos em Amazonas e Rio de Janeiro, onde filiados que são aliados de Lula — Omar Aziz e Eduardo Paes — enfrentam justamente o PL — Maria do Carmo e Douglas Ruas.
Esse quadro revela que parte dos representantes do campo, agora minado pelo bolsonarismo, também se aliaram ao PT em meio à ascensão da polarização nacional . “O que havia de centro-direita democrática no Brasil passou a integrar a coalizão do presidente Lula, como Geraldo Alckmin e Simone Tebet”, observou a cientista política Lilian Sendretti, pesquisadora do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento). Presidenciáveis por PSDB e MDB nas duas últimas eleições, os dois citados ingressaram no PSB e integraram o governo petista como vice-presidente e ministra do Planejamento, respectivamente.
Para a pesquisadora, porém, o cenário atual ainda não representa uma concentração absoluta dessas duas forças na representação política do país. “ Mesmo com 92% dos votos válidos para presidente, PT e PL somam menos de 40% das vagas na Câmara . O voto proporcional garante espaço a partidos médios, e as federações partidárias possibilitam que legendas pequenas cumpram a cláusula de desempenho sem deixar de existir. A polarização na arena eleitoral majoritária e a fragmentação na proporcional convivem ”, avaliou.
Assessoria/Leonardo Rodrigues/Caminho Político
📢 Jornalismo profissional e de qualidade. Acompanhe as últimas notícias de Cuiabá, de Mato Grosso, de Brasil e do Mundo.
📲 📰 💻Siga o Caminho Político nas redes sociais 💻
🎯Facebook: https://www.facebook.com/cp.web.96
🌐www.caminhopolitico.com.br
🌐www.debatepolitico.com.br

Comentários
Postar um comentário