Flávio tem que provar que o seu fiscalismo não é da boca para fora, diz gestora de R$ 18 bi

A TAG Investimentos, casa com R$ 18 bilhões sob gestão, aponta que a probabilidade de o Brasil “entrar nos trilhos de uma política econômica funcional” cresceu após o primeiro turno das eleições, com o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente da disputa.
Flávio registrou 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Agora, os dois candidatos se enfrentam no segundo turno, em 25 de outubro.
Na visão da TAG, investidores precisam trabalhar com probabilidades, não com convicções, e o resultado de domingo gerou uma mudança de perspectivas. Com a reeleição de Lula, a probabilidade de um ajuste na política econômica é “bem baixa, algo perto de zero”, nas palavras da gestora. Já com Flávio, essa possibilidade aumenta “para pouco acima dos 50%, talvez perto dos 60%”.
Ainda assim, a TAG afirma não identificar disposição para um ajuste fiscal nem em Lula nem em Flávio. “Flávio tem que provar ao mercado que o seu fiscalismo não é da boca para fora”, destaca.
Mesmo que seja eleito, o senador ainda precisaria convencer o mercado por meio de entregas concretas. “E sabemos que entregas com o atual sistema político e nossa crise institucional — que não se resolve em um domingo de eleições — não são fáceis nem rápidas”, escreve a gestora em sua carta de outubro.
A casa compara o Brasil, antes do primeiro turno, com um paciente na UTI, no momento em que os médicos já pensam em chamar a família. “Digamos que o paciente agora esteja indo para o quarto, porém debilitado e com uma longa recuperação pela frente”, afirma.
A depender da janela internacional, a TAG projeta um rali para o mercado local nos próximos meses, até que um eventual novo governo inicie. “Daí em diante só com entregas.”
Paralelamente, o ruído institucional deve permanecer. A gestora avalia que um Senado mais bolsonarista diante de um Supremo Tribunal Federal (STF) sob pressão é fonte de ruído constante, independentemente do vencedor das eleições. Como o Estadão mostrou nesta reportagem, ao menos 31 senadores eleitos defendem o impeachment de ministros do STF.
Para atravessar o cenário eleitoral, a TAG aumentou a posição na Bolsa brasileira. Na renda fixa, manteve uma exposição favorável aos títulos atrelados à inflação, ampliando o prazo médio da carteira. No caso dos títulos prefixados, a gestora também pretende amplificar a posição.
Entre as diferentes classes de ativos, a de que menos gosta é a aposta no câmbio. Com a redução da diferença entre os juros do Brasil e de outros países, a TAG avalia que os investimentos em reais ficam menos atrativos. “O que não quer dizer que não ande, apenas anda menos que o resto, ajustado pelo risco”, pondera.
Assessoria/Beatriz Rocha/Estadão/Caminho Político
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