Festa de Nossa Senhora Aparecida reúne fiéis e encanta a Esplanada

Orações, mãos erguidas e olhares voltados para o céu marcaram a celebração de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil e de Brasília, na Esplanada dos Ministérios. Na 27ª edição da festa, devotos de diferentes idades e regiões do Distrito Federal se reuniram para renovar a fé, agradecer por graças alcançadas e pedir dias melhores. A programação teve missa solene, procissão luminosa, na qual os fiéis percorreram a Esplanada com velas, e show do Frei Gilson, uma das atrações mais aguardadas da noite.
Em missa, durante a homilia, o arcebispo de Brasília, cardeal Dom Paulo Cezar Costa, defendeu que as diferenças de pensamento não devem se transformar em motivo de hostilidade. "Pensar diferente se torna uma riqueza e ter posturas políticas diferentes se torna algo normal, sem que isso nos torne inimigos. Não podemos construir uma sociedade de inimigos, porque esse não é o caminho da fé. Esse caminho é contrário à fé, porque somos irmãos entre nós", afirmou.
"O ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus, e é preciso, cada vez mais, construir uma sociedade à altura da grandeza e da dignidade do ser humano. Uma sociedade de irmãos. A comunidade cristã, a Igreja, tem uma missão profética irrenunciável: ser um sinal de reconciliação", completou.
A busca por união motivou Eliane Silva, 55 anos, aposentada e moradora do Guará, que compareceu à missa acompanhada da mãe, Jeane Silva, 78. Para ela, a celebração representa uma oportunidade de aproximar as pessoas em um momento de divisões no país. "Encontro de comunhão entre as pessoas. É o dia da Nossa Mãe. Que as pessoas tenham mais sensatez, que abram o coração e a mente nesse momento em que o Brasil está vivendo tão dividido. Aqui é um encontro apenas com Nossa Senhora", disse.
Eliane destacou a homilia como um dos pontos mais importantes da celebração. "A homilia é meu momento favorito. É um momento de reflexão, onde as pessoas vão olhar mais para dentro de si", avaliou.
Devoção
Na grade, próxima ao palco, as irmãs Maria Amélia Ramos, 69, professora, e Anorasi Sousa Ramos, 65, vendedora, moradoras de Ceilândia, acompanhavam a missa.
Maria Amélia levou consigo pedidos por um mundo mais justo, com menos violência e mais compaixão. "Espero que Jesus volte, pois está na hora de voltar. Há tanta irregularidade, tanta coisa ruim no mundo. Jesus precisa abrandar os corações das pessoas que se chamam de fiéis. Que Jesus ilumine nossos caminhos e dê o arrependimento àqueles que só fazem o mal", disse.
A expectativa de acompanhar o show de Frei Gilson também foi um incentivo para que Maria Amélia saísse de casa, mesmo com dores nas pernas. "Iria assistir à missa de casa, mas isso me animou", contou.
A juventude também faz parte dos fiéis. As estudantes Catarina Ferraz, 19, moradora da Asa Norte, e Sofia Gontijo, 18, da Asa Sul, participaram do evento para divulgar uma loja de artigos católicos. "É muito gratificante ver um evento tão grande acontecendo em Brasília, ainda mais sendo jovem. Hoje em dia, a juventude não dá mais tanta importância para isso. Então, vamos mostrar que a igreja não está morta e que os jovens ainda fazem parte disso", destacou Catarina.
Para o casal Renan Escalante, 43, empresário, e Vilma Escalante, 47, professora, moradores de Sobradinho, a festa de Nossa Senhora Aparecida faz parte da tradição familiar. Eles participaram da celebração acompanhados de parentes e levaram dois bebês que estão sob seus cuidados como família acolhedora de crianças em situação de risco.
Vilma explicou que estar nas celebrações religiosas é uma maneira de fortalecer os vínculos com a comunidade e compartilhar a fé com a família. "Nos sentimos participantes da nossa paróquia, vivendo em comunidade e fazendo parte do que a gente acredita, da nossa fé", afirmou.
Assessoria/Vitória Torres/Caminho Político
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