Genro de Trump e Netanyahu concordam em desarmar Hamas antes de retirar tropas israelenses de Gaza, diz agência

O genro de Donald Trump e enviado norte-americano ao Oriente Médio, Jared Kushner, informou nesta segunda-feira (17/08) que houve, em Israel, progressos nas conversas e esclarecimento de “mal-entendidos” com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu em relação ao plano de paz de Gaza. Nos últimos dias, o premiê rejeitou publicamente a etapa mais recente do projeto costurado pelos Estados Unidos, defendendo que somente retiraria suas tropas do território palestino após a desmilitarização completa do Hamas.
Em entrevista à emissora conservadora Fox News, Kushner destacou que seria uma “conquista quase inimaginável” se o Hamas entregasse “voluntariamente” suas armas e túneis “nos próximos 60 a 90 dias”, acrescentando ser um cenário vantajoso para o regime sionista. Assegurou também que o Conselho de Paz “não deve restringir o direito de Israel de se defender caso haja ameaças iminentes”, indicando que o regime sionista “terá muito mais apoio dos Estados Unidos e de outros países para avançar e concluir o trabalho adequadamente”.
De acordo com uma autoridade israelense à AFP, no recente encontro entre Netanyahu e Kushner, ambos “concordaram que não haverá nenhum reposicionamento [de tropas] nem reconstrução na Faixa de Gaza antes que o Hamas seja completamente desarmado” em todo o território. “Também foi acordado que o primeiro passo para a desmilitarização da Faixa de Gaza consistiria em pedir ao Hamas que entregue suas armas para que elas sejam inutilizadas sob a supervisão de um general norte-americano”.
O movimento de resistência palestino Hamas já havia dado seu aval, no fim de julho, ao plano, contando que o desarmamento acontecesse mutuamente com a retirada israelense do território palestino, que atualmente é ocupado por Tel Aviv em mais de 60%.
Segundo a versão original do plano publicado pelo “Conselho da Paz” em julho, o desarmamento do grupo palestino seria supervisionado pelo Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), formado por tecnocratas palestinos e destinado a administrar o período de transição. Porém, Netanyahu rejeitou o texto e exigiu um desarmamento inicial do Hamas.
Quanto à reunião realizada com os líderes do Hamas no domingo (16/08), no Egito, Kushner descreveu à Fox como “muito cordial”. “Dependerá das ações e das medidas práticas do Hamas, e espero que sejam sinceros quanto a isso”, acrescentou.
À emissora catari Al Jazeera, o secretário-geral da Iniciativa Nacional Palestina, Mustafa Barghouti, denunciou os Estados Unidos de estarem permitindo que Netanyahu escape impune do assassinato cometidos contra palestinos ao dar carta branca para não cumprir os compromissos israelenses referentes ao plano original do Conselho de Paz de Gaza.
“Netanyahu está enrolando, está abusando de toda a situação e continua o bombardeio”, disse Barghouti. “Infelizmente, a administração Trump não está respondendo ao desafio que Netanyahu colocou em cena. Netanyahu rejeitou o plano de paz. Ele rejeitou o que foi proposto. Ele rejeitou o que os palestinos aceitaram e demonstrou grande flexibilidade em relação ao que foi. E os Estados Unidos, em vez de dizer a Netanyahu que ele precisa respeitar o que já aceitou antes e começar a implementá-lo, estão lhe dando margem de manobra”.
Por fim, o secretário disse que, após a reunião entre Kushner e Netanyahu, a “pressão está voltando para o lado palestino e revertendo, mudando até mesmo o plano que foi aprovado anteriormente”.
Assessoria/OperaMundi/Caminho Político
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