Flávio Bolsonaro (PL-RJ) colocou Nikolas Ferreira (PL-MG) no centro do desgaste provocado pelo ato flopado da campanha em Belo Horizonte. Após o evento com público reduzido na noite de segunda-feira (17), o candidato à Presidência deixou de citar o deputado mineiro em uma fala que circulou nas redes, gesto que foi imediatamente interpretado dentro do próprio bolsonarismo como um recado ao parlamentar. A omissão ocorre justamente quando Nikolas é cobrado por uma ala ligada à família Bolsonaro por supostamente fazer “corpo mole” na campanha de Flávio. O deputado federal é uma das principais apostas do PL para transferir força eleitoral e mobilização digital ao presidenciável em Minas Gerais, estado considerado estratégico na disputa pelo Planalto.
O episódio veio na esteira de um novo fracasso de mobilização. Como a Fórum mostrou, o lançamento da candidatura de Flávio Roscoe (PL) ao governo de Minas Gerais não conseguiu preencher sequer a quadra diante do palanque montado no ginásio do Mackenzie Esporte Clube, em Belo Horizonte.
A campanha de Flávio Bolsonaro não divulgou uma estimativa oficial de público. As imagens oficiais priorizaram enquadramentos fechados, enquanto vídeos feitos no local mostraram espaços vazios.
Nikolas Ferreira volta à mira do grupo de Eduardo Bolsonaro
A baixa adesão devolveu combustível a uma disputa que atravessa o bolsonarismo desde o início da campanha. Militantes e influenciadores alinhados a Eduardo Bolsonaro vêm acusando Nikolas Ferreira de não se empenhar suficientemente pela candidatura de Flávio.
Um dos principais nomes dessa ofensiva é o influenciador Kim Paim. Em abril, Eduardo Bolsonaro compartilhou um vídeo de Paim contra Nikolas e, na sequência, entrou em confronto público com o deputado mineiro. A Fórum mostrou à época que Paim acusava Nikolas de favorecer, por meio de seu alcance nas redes, perfis críticos ao bolsonarismo.
A ofensiva continuou nos meses seguintes. Em julho, Paim publicou a frase “corpo mole, bolso cheio” ao atacar setores da direita que, segundo ele, estariam trabalhando para enfraquecer Flávio Bolsonaro. Nikolas, Michelle Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e Silas Malafaia apareceram entre os nomes acusados por essa ala de não se engajar como deveria na campanha presidencial.
A Fórum também revelou a atuação do chamado “gabinete do ódio” de Eduardo Bolsonaro, formado por uma rede de influenciadores e aliados digitais que inclui nomes como Kim Paim, Paulo Figueiredo e Allan dos Santos e que tem direcionado ataques a figuras da própria direita consideradas pouco fiéis ao núcleo familiar.
Depois do ato esvaziado em Belo Horizonte, o discurso voltou a aparecer. Um perfil bolsonarista chamou Nikolas de “sabotador” e o acusou de esconder Jair e Flávio Bolsonaro em material eleitoral. Trata-se de uma acusação publicada pelo perfil, sem comprovação de que o deputado tenha atuado para prejudicar a campanha presidencial.
A reação, no entanto, não é uniforme. Outros apoiadores tentaram conter o fogo amigo e reforçaram publicamente a ligação entre os dois candidatos. Uma das mensagens que circularam após o episódio resumiu a tentativa de pacificação: “Nikolas Ferreira é Flávio Bolsonaro”.
Assessoria/Diego Feijó de Abreu/Caminho Político
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