Amigo íntimo do clã e dono do jet ski usado por Flávio Bolsonaro (PL) durante uma suspeita de fuga durante a ação da Polícia Federal (PF) contra o irmão, Carlos Bolsonaro (PL), em janeiro de 2024, o empresário Renato Araújo foi alvo de uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro nesta quinta-feira (13) em investigação sobre um suposto esquema de corrupção que soma mais de R$ bilhão em contratos para obras em escolas públicas durante o governo Cláudio Castro (PL) no Rio de Janeiro.
Investigadores cumpriram mandado de busca e apreensão na Bravo Construções, uma das empresas suspeitas de participar do esquema de corrupção. A construtora foi fundada por Renato Araújo, mas atualmente está no nome da esposa dele, Tainá Nóbrega de Souza. Em documentos obtidos pela investigação, no entanto, é ele quem assina as propostas de obras enviadas à Secretaria Estadual de Educação como diretor-geral.
Segundo a Polícia Civil, a empresa firmou ao menos R$ 16 milhões em contratos para reforma de escolas públicas com o governo Claudio Castro, que estão sob investigação.
O empresário é candidato a deputado federal com o nome “Renato Araújo do Bolsonaro” e chegou a ser indicado pelo ex-presidente para ser candidato a vice-governador na chapa com Rodrigo Bacellar (União). A chapa naufragou após a prisão de Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), no fim de 2025 por envolvimento no caso que envolve o ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, indiciado por intermediar venda de fuzis ao Comando Vermelho.
De acordo com a Polícia Civil, “as investigações apontaram indícios de um sistema direcionado à contratação de determinadas empresas para a realização de obras em unidades”.
“De acordo com os elementos reunidos pela Delfaz (Delegacia Fazendária), um ex-diretor regional teria atuado na indicação de empresas supostamente vinculadas ao esquema, que posteriormente seriam favorecidas nos procedimentos de contratação”, diz a nota da polícia.
Chamada Operação Sarasvati, a ação cumpriu ao todo 20 mandados de busca e apreensão em endereços localizados nos municípios de Maricá, Campos dos Goytacazes, Cabo Frio, Angra dos Reis, Mangaratiba e São Gonçalo. No Rio de Janeiro, os agentes atuaram nos bairros do Andaraí e do Centro. Os policiais também cumpriram mandados na cidade de São Paulo.
Além da Bravo Construções, de Renato Araújo, foram alvos as empresas Atec Comércio e Empreendimentos – que já teve como representante legal Guilherme Rangel Abreu é filho da ex-subsecretária estadual de Educação, Joilza Rangel, que foi exonerada em meio às investigações -, Beta X Fire Sistema Contra o Incêndio, Hellon Arquitetura e Template.
Segundo a Polícia Civil, o esquema teria repassado mais de R$ 1 bilhão da Secretaria de Educação para o pool de empresas – R$ 630,2 milhões em 2024 e R$ 513,3 milhões em 2025.
Renato Araújo manteve a agenda política e na noite desta quinta-feira (13) de um ato público com Carlos Jordy, Douglas Ruas e Carlos Portinho.
Do jet ski à campanha de Flávio: a intimidade de Renato Araújo com o clã Bolsonaro
A relação de Renato Araújo com o clã Bolsonaro está longe de ser uma simples aproximação eleitoral. O empresário de Angra dos Reis se tornou um dos personagens mais próximos da família no Rio de Janeiro, especialmente de Flávio Bolsonaro, atual candidato do PL à Presidência. A intimidade com os Bolsonaro inclui negócios, obras, campanhas eleitorais e até os momentos de maior tensão envolvendo a família.
Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu em 29 de janeiro de 2024, quando a Polícia Federal deflagrou uma operação contra Carlos Bolsonaro no âmbito da investigação sobre a chamada “Abin paralela”. Naquela manhã, Jair Bolsonaro havia saído para pescar em Angra dos Reis acompanhado dos filhos Carlos e Flávio, além de Renato Araújo e seguranças.
Quando os agentes chegaram à casa da família, o grupo estava no mar. Eduardo Bolsonaro retornou em um dos jet skis para conversar com os policiais, enquanto Jair e Carlos voltaram posteriormente de lancha. O segundo jet ski, utilizado por Flávio, não retornou naquele momento. A embarcação pertencia a um amigo da família e, posteriormente, Flávio afirmou que simplesmente havia devolvido o veículo. O episódio, porém, chamou a atenção da PF, que investigou se o jet ski poderia ter sido utilizado para ocultar ou retirar provas durante a operação.
O detalhe que ajuda a dimensionar a proximidade é que o jet ski havia sido emprestado por Renato Araújo à família Bolsonaro. Segundo reportagem da Piauí, o empreiteiro também havia cedido funcionários de sua construtora para auxiliar na reforma da casa de Jair Bolsonaro em Mambucaba, em Angra dos Reis.
A relação com Flávio e clã Bolsonaro vai além da amizade. Além de reformar a casa de veraneio dos Bolsonaro, Araújo passou a atuar como um aliado político do senador no Rio e, em 2025, chegou a promover uma ação eleitoral batizada de “picanha do Flávio”, distribuindo carne a eleitores em embarcações em Angra. A ação, registrada em vídeo, foi posteriormente apagada das redes sociais.
O vínculo com o clã também lhe abriu espaço dentro da estratégia eleitoral bolsonarista. Jair Bolsonaro esteve ao lado de Araújo em sua campanha para a Prefeitura de Angra dos Reis e chegou a indicá-lo para ser vice na chapa de Rodrigo Bacellar na disputa pelo governo do Rio. Em 2026, a relação ganhou uma tradução ainda mais explícita nas urnas: Araújo adotou o nome eleitoral “Renato Araújo do Bolsonaro”, autorizado pelo próprio partido em razão de sua proximidade com a família.
Assessoria/ Plinio Teodoro/Revista Forum/Caminho Político
📢 Jornalismo profissional e de qualidade. Acompanhe as últimas notícias de Cuiabá, de Mato Grosso, de Brasil e do Mundo.
📲 📰 💻Siga o Caminho Político nas redes sociais 💻
🎯Instagram: https://www.instagram.com/caminhopoliticomt
🎯Facebook: https://www.facebook.com/cp.web.96
🌐www.caminhopolitico.com.br
🌐www.debatepolitico.com.br
Comentários
Postar um comentário