Ataques de Nikolas e Eduardo Bolsonaro geram onda de defesa das vacinas nas redes

A ofensiva coordenada por políticos de extrema direita contra a imunização gerou um efeito reverso nas redes sociais. Em vez de consolidar o negacionismo, os ataques provocaram uma onda majoritariamente favorável às vacinas. É o que aponta uma pesquisa da plataforma de monitoramento digital Torabit, obtido e divulgado pela BBC Brasil.
O levantamento analisou 93.755 publicações contendo o termo “vacina” no X, Facebook, Instagram e Bluesky, entre os dias 3 e 10 de agosto. Os números mostram um isolamento do discurso anticientífico: considerando apenas as postagens que apresentaram uma posição assumida, 65,8% eram favoráveis à vacinação, contra apenas 34,2% de publicações antivacina.
A explosão do tema nas redes foi impulsionada por um episódio ocorrido nos Estados Unidos. Em 29 de julho, Anthony Fauci, ex-principal assessor médico da Casa Branca, compareceu a uma audiência realizada por um comitê do Senado dos Estados Unidos e invocou mais de cem vezes a Quinta Emenda da Constituição americana, que garante o direito de uma pessoa não produzir provas contra si mesma, irritando parlamentares republicanos.
No Brasil, parlamentares bolsonaristas passaram a divulgar desinformação a respeito das vacinas, distorcendo o conteúdo de um diário de Fauci revelado dias antes de sua participação na audiência.
Um vídeo do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), publicado em 2 de agosto retomando narrativas da pandemia, fez diversas afirmações já refutadas sobre as vacinas contra covid-19. A postagem gerou forte reação, segundo o levantamento, com 87,9% das publicações que o mencionaram sendo classificadas como pró-vacina, rebatendo suas alegações.
Dias depois, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) tentou surfar na mesma onda ao exibir um documento do Texas no qual assumia a responsabilidade por não vacinar a filha. Embora tenha gerado um debate mais prolongado, a resposta geral também foi negativa, com 60,9% das menções ao seu nome defendendo a imunização.
Vacinas e surto de sarampo
O avanço de um surto de sarampo em São Paulo também serviu como âncora para a defesa da ciência. Segundo a Torabit, entre as publicações que mencionaram o sarampo, 72,7% eram pró-vacina e apenas 2,1% endossavam o negacionismo.
A pesquisa mostrou ainda uma diferença em relação ao gênero. Entre os perfis femininos com posição definida em relação aos imunizantes, 67% das menções eram pró-vacina e 33% antivacina. Já entre os perfis masculinos, 56% eram pró-vacina e 44% antivacina.
Assessoria/Glauco Faria/Caminho Político
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