Após saída de Mauro Carvalho, Adjairme Ramos assume Casa Civil e promete abrir diálogo com deputados
O Governo de Mato Grosso terá um novo comandante na Casa Civil. Adjairme Ramos, que atualmente ocupa o cargo de secretário-adjunto de Relações com os Municípios, foi escolhido para assumir a chefia da pasta após a saída de Mauro Carvalho Junior (União), anunciada nesta terça-feira (11). A mudança ocorre em um momento de forte movimentação política no Palácio Paiaguás, após os desdobramentos da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal para investigar suspeitas relacionadas ao acordo de aproximadamente R$ 308 milhões firmado entre o Estado de Mato Grosso e a operadora Oi.
Mauro Carvalho comunicou a decisão de deixar o governo por meio de uma carta. No documento, afirmou que a saída foi tomada por iniciativa própria, em entendimento com a família e com o governador Otaviano Pivetta (Republicanos), para que possa se dedicar aos seus negócios, à família e, principalmente, aos esclarecimentos e à defesa diante da investigação.
Carvalho sustenta que não participou das tratativas que resultaram no acordo envolvendo a Oi. Segundo ele, estava fora de função no Executivo estadual durante o período em que ocorreram etapas relacionadas ao entendimento e, portanto, não teria condições de interferir nas decisões tomadas pelo Estado.
O ex-secretário também ressaltou que o Supremo Tribunal Federal não acolheu pedido da Polícia Federal para seu afastamento do cargo. Em sua manifestação, Mauro Carvalho enfatizou que é investigado, mas que não há condenação contra ele, e negou ter recebido qualquer benefício financeiro relacionado ao acordo.
Na carta, Carvalho ainda manifestou solidariedade ao ex-procurador-geral do Estado Francisco Lopes e ao deputado federal Fábio Garcia (União), que também aparecem no contexto da investigação. Francisco Lopes deixou o comando da Procuradoria-Geral do Estado após a operação, enquanto Fábio Garcia anunciou nesta terça-feira a desistência de disputar a vice-governadoria na chapa de Pivetta.
Com a saída de Carvalho, Adjairme Ramos passa a ocupar uma das funções de maior peso político dentro do Governo. A Casa Civil é responsável pela articulação institucional do Executivo, especialmente na relação com a Assembleia Legislativa, prefeitos, lideranças municipais e demais Poderes.
Adjairme já anunciou que uma das primeiras medidas será procurar os deputados estaduais. Segundo ele, nesta quarta-feira (12) deverá ir à Assembleia Legislativa para conversar com os parlamentares e reforçar o canal de diálogo entre o Palácio Paiaguás e o Legislativo.
“Amanhã vou fazer uma visita na Assembleia, vamos abrir o diálogo. O procedimento é o mesmo. Aqui na Casa Civil eu entrei junto com o Mauro e a convite dele em 2019”, afirmou Adjairme.
A troca no comando da Casa Civil acontece no mesmo dia em que outra mudança de grande impacto atingiu o grupo político do governador. Fábio Garcia decidiu deixar a condição de candidato a vice-governador e retornar à disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados.
Pivetta afirmou que pretende definir ainda nesta terça-feira quem ocupará a vaga deixada por Garcia. Durante coletiva, o governador adiantou que a escolhida será uma mulher e indicou que o convite já foi feito, restando a confirmação da convidada. A informação divulgada é de que se trata de uma mulher de Cuiabá.
“A vice vai sair até o final do dia. Vai ser uma mulher. Está faltando ela aceitar o convite”, declarou Pivetta.
A Operação Heritage investiga suspeitas relacionadas ao acordo que resultou na restituição de cerca de R$ 308 milhões à Oi. De acordo com a linha investigativa atribuída à Polícia Federal, parte dos recursos teria seguido para fundos de investimento que estariam relacionados a pessoas próximas de agentes políticos. As suspeitas permanecem sob investigação e não representam, por si só, declaração de culpa dos envolvidos.
A chegada de Adjairme Ramos à Casa Civil, portanto, ocorre em meio a uma ampla reorganização política e administrativa do Governo Pivetta. Além de reconstruir a articulação com deputados e prefeitos, o novo secretário terá a missão de conduzir uma das pastas mais estratégicas do Executivo justamente quando o Palácio Paiaguás enfrenta os efeitos políticos da Operação Heritage e uma reformulação da chapa que disputará as eleições de 2026.
Assessoria/Caminho Político
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