Miola cobra mais investigações contra Flávio Bolsonaro e diz que Michelle já aposta na derrota da candidatura dele

O analista político Jeferson Miola cobrou nesta semana mais investigação da Polícia Federal contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e, em participação no programa Giro das Onze, disse que as fraudes financeiras envolvendo o Banco Master não devem aparecer como um escândalo genérico do País. Segundo o colunista, o núcleo de grandes fraudes financeiras está no mundo empresarial (privado) e não público. Mas, na esfera política, afirmou ele, o bolsonarismo é a força central para atender a interesses privados da instituição bancária, que tem como controlador o empresário Daniel Vorcaro, detido e investigado por envolvimento em um esquema de R$ 12 bilhões em fraudes financeiras, conforme estimativas da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.
“O Master é um fenômeno essencialmente bolsonarista”, pontuou Miola, citando Jair Bolsonaro, o ex-ministro da Economia Paulo Guedes e o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. “Começou com Bolsonaro, Paulo Guedes do Bolsonaro, Roberto Campos Neto do Bolsonaro, a flexibilidade do Banco Central durante o período Bolsonaro e todos os vínculos do establishment bolsonarista, extremista e direitista vinculado ao Banco Master”.
Durante sua participação na TV 247, Miola também analisou a crise na extrema direita após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) afirmar ter sido “apunhalada” e humilhada por Flávio Bolsonaro em meio a divergências políticas dentro do Partido Liberal. De acordo com o analista, a gravação não representa apenas uma crise familiar, mas um movimento político voltado ao futuro da extrema direita. “Quando eu assisti ao vídeo, a minha sensação é de que ela aposta na derrota da candidatura" presidencial do senador. Atualmente, o filho de Jair Bolsonaro é pré-candidato. O prazo de registro de candidaturas vai até 15 de agosto.
O Datafolha mostrou no último dia 20 que o presidente Lula (PT) derrotaria todos os nomes testados em cenários de segundo turno. Na Pesquisa CNT de Opinião, feita pelo Instituto MDA, o petista abriu 12,5 pontos de diferença para Flávio Bolsonaro. No levantamento Quaest, encomendado pela Genial Investimentos, registrou distância de seis pontos percentuais entre os dois.
No cenário político atual, disse Miola, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro "está se projetando para ser conformar uma liderança do bolsonarismo após a eleição”. “A gente vê que ela faz uma simbiose política e religião. Ela adota um tom bíblico no que ela fala. Esse contorno que ela dá ao bolsonarismo com o neopentecostalismo, ele é muito poderoso e muito potente”.
Ao falar sobre o setor privado brasileiro, o analista comentou a relação entre o bolsonarismo e o Master. Miola cobrou medidas patrimoniais mais duras contra Daniel Vorcaro. “Deveria ter até o último centavo dele sequestrado”, disse Miola, que também comentou sobre o caso Americanas. A PF e o Ministério Público Federal investigam fraudes contábeis estimadas em aproximadamente R$ 54 bilhões no caso das Lojas Americanas investigado pela Operação Disclosure.
Segundo o comentarista, agentes públicos podem aparecer como parte dos esquemas, mas o núcleo de grandes fraudes estaria no mundo empresarial. Miola cobrou mais investigação contra agentes privados. Em vez de mirar apenas periferias e comunidades, as investigações financeiras poderiam alcançar escritórios, bancos, fundos e estruturas sofisticadas de lavagem de dinheiro, sinalizou o colunista.
Jaques Wagner e comparação com outros casos
No âmbito político, Miola questionou a falta de transparência sobre a escolha de alvos, datas e prioridades no avanço das apurações da 9ª fase da Operação Compliance Zero contra o senador Jaques Wagner (PT-AB). O colunista perguntou por que não houve medidas semelhantes contra figuras como Antônio Rueda (presidente do União Brasil), Davi Alcolumbre (presidente do Senado pelo União-AP), Hugo Motta (presidente da Câmara pelo Republicanos-PB) e Flávio Bolsonaro (senador do PL-RJ e pré-candidato à presidência da República).
Apesar dos questionamentos, Miola evitou afirmar que não havia razões para diligências da Operação Compliance Zero, da PF, contra o senador Jaques Wagner. “Não quero aqui dizer que não deve não tinha razões para para fazer uma operação no Jaques Wagner, porque e desde o início isto era assunto, que teria problemas na Bahia”, afirmou o colunista do 247.
A PF apontou que o senador recebeu apartamento de R$ 2,45 milhões do banqueiro Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master. O parlamentar também teria comprado imóvel de R$ 9 milhões em Salvador. A PF apreendeu US$ 55 mil e 33 mil euros em endereços ligados ao congressista. Outro alvo da operação foi Augusto Ferreira Lima, sócio do Master.
Conforme a Agência Brasil, a defesa do senador pediu ao STF a anulação da busca e apreensão cumprida pela PF e disse que ele "jamais atuou no Congresso para favorecer o Master". "Prova disso é que a única emenda de sua autoria sobre o tema, apresentada à Medida Provisória 1106/2022, propunha limitar juros e proteger os consumidores, justamente o contrário dos interesses do Banco", disse a defesa.
Sobre os valores em espécie encontrados durante as buscas, o advogado Pablo Domingues afirmou que o dinheiro tem origem lícita. "Parte é proveniente de diárias publicamente declaradas pagas pelo Senado para missões no exterior, e outra parte foi adquirida por meio de operações oficiais junto a instituição financeira, com registro regular. Não há nada a ocultar. O próprio Ministério Público Federal já havia considerado prematura a apreensão desses bens".
Assessoria/Redação Brasil 247/Caminho Político
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