Diretor de Dark Horse confirma que filme é eleitoreiro: espero que ajude levar “Flávio Bolsonaro ao poder”

Cyrus Nowrasteh, diretor de Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro, tratou o filme como instrumento eleitoral para impulsionar Flávio Bolsonaro à Presidência durante a première do longa em Las Vegas, nos Estados Unidos. Segundo a Agência O Globo, o cineasta afirmou que espera que a obra ajude a levar o senador “ao poder como o próximo presidente do Brasil”.
A declaração foi dada após a primeira exibição pública do filme, realizada na segunda-feira, 15 de junho, durante o Fraud Fighter Summit, evento da direita trumpista no Ahern Hotel, em Las Vegas. A página oficial do encontro confirma a première de Dark Horse em 15 de junho e lista Eduardo Bolsonaro entre os convidados.
“Esperamos que este filme seja visto no Brasil e receba o apoio dos brasileiros. Eles reconhecerão a sua própria história, a sua história recente, e levarão Flávio Bolsonaro ao poder como o próximo presidente do Brasil”, disse Nowrasteh, segundo a Agência O Globo.
Cyrus Nowrasteh expõe o motor eleitoral de Dark Horse
A fala de Cyrus Nowrasteh rasga a embalagem cultural usada pelo bolsonarismo para vender Dark Horse. O longa reconta a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018, explora o atentado a faca em Juiz de Fora, em Minas Gerais, e transforma a trajetória do ex-presidente em peça épica para alimentar a sucessão familiar em 2026.
No mesmo painel, Eduardo Bolsonaro classificou Dark Horse como parte de uma “guerra cultural” contra adversários políticos. Segundo a reportagem, o deputado licenciado afirmou que o filme seria “um pesadelo para a esquerda” e comparou seu potencial de influência cultural ao de Exterminador do Futuro 2.
A estética é transparente: mártir, herói perseguido, inimigo interno, destino providencial e herdeiro político. A declaração do diretor apenas verbaliza a engrenagem central da produção: converter cinema, culto à personalidade e ressentimento político em campanha presidencial para Flávio Bolsonaro.
Dark Horse já virou caso eleitoral no TSE
A fala de Nowrasteh reforça o argumento que levou Dark Horse ao centro da disputa eleitoral antes mesmo da estreia comercial no Brasil. A Fórum mostrou que Nunes Marques assumiu nova ação contra Flávio Bolsonaro e negou pedido para impedir a exibição de Dark Horse como peça de propaganda eleitoral antecipada.
Na prática, o filme deixou de ser apenas uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro e passou a ser discutido como ativo de campanha. O próprio diretor, agora, fornece a frase que faltava ao enredo político: a expectativa de que a obra ajude a colocar Flávio Bolsonaro no poder.
Antes disso, a Fórum já havia mostrado que o PT acionou o TSE para barrar Dark Horse após a revelação de financiamento pelo Banco Master negociado por Flávio Bolsonaro. O pedido apontava suspeita de uso eleitoral da obra em favor do senador e pré-candidato do PL à Presidência.
Filme de Bolsonaro carrega rastro de dinheiro e suspeita
A dimensão eleitoral de Dark Horse não aparece isolada. A produção entrou na mira da Polícia Federal por causa da relação entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, apontado como financiador do filme em meio a investigações sobre fraudes bilionárias no sistema financeiro.
A Fórum revelou que a quebra de sigilo do fundo ligado a Dark Horse depende de aval do governo Trump. A apuração envolve remessas internacionais e suspeitas sobre o destino de recursos usados para bancar a produção e estruturas associadas à família Bolsonaro nos Estados Unidos.
Também foi revelado que a produtora Go UP Entertainment não comprovou gasto de R$ 75 milhões no filme. O valor havia sido usado publicamente para defender a dimensão da obra, mas a documentação apresentada não sustentou a cifra.
Dark Horse empurra Flávio Bolsonaro como herdeiro do clã
Com a fala do diretor, Dark Horse se consolida como peça de transição simbólica dentro do bolsonarismo. Jair Bolsonaro aparece como mito fundador, Eduardo Bolsonaro como operador internacional da narrativa e Flávio Bolsonaro como beneficiário eleitoral direto do produto.
A opção pelo inglês, a première em um evento da direita dos Estados Unidos, a presença de Eduardo Bolsonaro no painel e a fala de Nowrasteh sobre levar Flávio “ao poder” compõem a mesma arquitetura política. O filme vende ao exterior uma versão heroica de Jair Bolsonaro e devolve ao Brasil uma candidatura embalada como continuação inevitável do pai.
O problema é que a frase do diretor desmonta a defesa de neutralidade cultural. Ao dizer que espera ver Flávio Bolsonaro como “o próximo presidente do Brasil”, Nowrasteh colocou Dark Horse no lugar que seus críticos já apontavam: não como filme sobre o passado, mas como máquina narrativa para disputar o futuro eleitoral do país.
Assessoria/Diego Feijó de Abreu/Revista Forum/Caminho Político
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