As investigações sobre o caso Master abriram uma nova frente da disputa política entre lulismo e bolsonarismo. Com a entrada do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), no radar da Polícia Federal, o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), busca um espaço para sair da defensiva e partir para o contra-ataque, embaralhando as narrativas em torno do caso. Aproveitando um anúncio já previsto sobre propostas de combate à criminalidade, Flávio afirmou que a Polícia Federal "implodiu o PT na Bahia", transformando o avanço das investigações em reação política. Mais tarde, pelas redes sociais, também buscou vincular Lula diretamente à situação, embora não haja nenhuma suspeita ou apuração em andamento em relação ao mandatário.
O movimento ilustra como a investigação passa a produzir efeitos políticos para ambos os lados da polarização. Na prática, o caso deixa de representar um desgaste concentrado em apenas um dos campos.
Isso porque, por outro lado, até então, aliados da gestão petista buscavam associar o escândalo estritamente a Flávio devido às suas conversas e ao seu pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Master, para "Dark Horse", o filme inspirado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Desde a revelação das conversas, Flávio vinha em queda nas pesquisas de intenção de voto.
O avanço sobre um dos principais homens de confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no entanto, já pressiona o Planalto. Nos bastidores, a estratégia do governo tem sido de restringir e individualizar o caso, evitando que o desgaste político alcance diretamente o presidente. Interlocutores também reforçam o discurso de que a Polícia Federal tem autonomia para investigar "quem quer que seja" e "doa a quem doer".
A única convergência entre PT e PL, por ora, é a defesa da já considerada natimorta CPMI do caso Master, justamente pela avaliação, compartilhada nos bastidores, de que a iniciativa dificilmente prosperará.
Jaques na mira da PF
Nesta quinta-feira (18), durante a 9ª fase da Operação Compliance, a Polícia Federal apreendeu cerca de 55 mil dólares (R$ 284,1 mil) e 33 mil euros (R$ 196,3 mil), em endereços ligados a Jaques Wagner, em Brasília e Salvador. Os investigadores apontam indícios de recebimento de vantagens indevidas pelo parlamentar, especialmente por meio da relação com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro e marido de Flávia Peres, ex-ministra do governo Jair Bolsonaro.
Entre os supostos benefícios citados pela PF estão um apartamento avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões em Salvador, ingressos para um show de uma cantora internacional em Los Angeles, viagens em aeronaves vinculadas a Lima ou ao Banco Master e supostos pagamentos por meio de empresa da nora do senador.
Em contrapartida, a PF aponta que Wagner teria atuado em pautas de interesse da instituição financeira, como a ampliação da margem do crédito consignado para trabalhadores celetistas e uma sugestão de emenda que ampliaria a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
A investigação também destaca uma mensagem enviada por Augusto Lima ao senador durante as tratativas da venda do Master ao BRB. Na conversa, o empresário afirma: "Você mais do que ninguém sabe da minha história e faz parte disso". Para a PF, o diálogo reforça a proximidade entre ambos e sugere que Wagner tinha relevância em temas sensíveis ao grupo.
Em nota, Jaques Wagner afirmou acompanhar as investigações com tranquilidade, negou ter atuado em favor do Banco Master e disse que o apartamento citado não lhe pertence. Sobre o dinheiro apreendido, afirmou que se trata de recursos provenientes de diárias oficiais de missões internacionais do Senado, declaradas e não utilizadas.
Assessoria/Luciana Amaral/Caminho Político
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