A administração municipal de São Paulo alocou R$ 3,5 milhões de recursos públicos para custear despesas da Connect Faith 2025, evento de inovação com temática gospel realizado em junho do ano passado. A organizadora do evento, Karina Gama, é também produtora executiva de Dark Horse, cinebiografia ficcional sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. As informações são do jornalista Demétrio Vecchioli, do site Metrópoles. Karina Gama é a dona da ONG que recebeu mais de R$ 100 milhões da prefeitura de São Paulo em um contrato para instalação de wi-fi repleto de suspeitas e que se tornou alvo de investigação da Polícia Civil.
Os recursos foram originados na Secretaria Municipal de Turismo (SMTUR), à época sob responsabilidade do pastor e deputado estadual Rui Alves (Republicanos), e executados pela SPTuris, empresa pública então gerida por Gustavo Pires. Pires foi posteriormente exonerado do cargo após denúncias sobre irregularidades na entidade.
A feira, realizada entre os dias 12 e 15 de junho no Expo Center Norte, cobrou ingressos para shows e palestras e comercializou cotas a patrocinadores e expositores. Apesar disso, a prefeitura arcou com uma extensa lista de despesas, incluindo contratação de pessoal — seguranças, equipes de limpeza e produtores —, além de estrutura de palco, sistema de som, painéis de LED, confecção de camisetas, fornecimento de alimentos e bebidas e locação de veículos.
Uma empresa chamada MM Quarter, apontada como central em denúncias sobre contratos irregulares na SPTuris, recebeu R$ 183,5 mil para fornecer mão de obra por seis diárias, embora o evento tenha durado quatro dias.
O repasse não foi publicado no Diário Oficial do município. As informações sobre os gastos estavam disponíveis apenas em arquivos compactados no portal de processos administrativos da prefeitura, o que dificultava sua localização por meio de buscas convencionais.
A Connect Faith foi realizada pela Academia Nacional de Cultura (ANC), presidida por Karina Gama.
O Tribunal de Contas do Município (TCM) e o Ministério Público (MP) abriram investigações sobre contratos da SPTuris. Somente após a abertura das apurações a SMTUR divulgou informações sobre os solicitantes de alguns dos eventos apoiados.
Não há registros documentais que indiquem quem solicitou o apoio municipal, qual critério determinou a escolha do evento ou como foi definida a lista de itens custeados pela prefeitura.
A Secretaria Municipal de Turismo afirmou, em nota, que “as contratações mencionadas respeitaram todos os trâmites previstos na legislação”. Segundo o comunicado, o apoio foi concedido “com base no Decreto Municipal nº 61.244/2022 e destinado à infraestrutura do evento, que teve público estimado em 60 mil pessoas”. A nota ainda afirma que a administração “repudia qualquer tentativa da imprensa de criar relações entre iniciativas do Município e a produção cinematográfica do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro”, acrescentando que “a obra não recebeu recursos municipais”.
Assessoria/Yuri Ferreira/Revista Forum/Caminho Político
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