Família ao pé da Cruz: Edir Marcedo fará ato contra Lula e alugou 9 estádios de futebol pra isso

A decisão da Igreja Universal do Reino de Deus de ocupar simultaneamente nove estádios de futebol pelo Brasil no próximo 3 de abril, Sexta-feira da Paixão, vai muito além de um ato religioso. Sob o nome “Família ao Pé da Cruz”, a iniciativa se consolida como uma das maiores demonstrações de força política já organizadas por uma denominação evangélica no país — e tem endereço certo: o governo de Luiz Inácio Lula da Silva e o Partido dos Trabalhadores.
A operação envolve arenas icônicas como o Maracanã, a Neo Química Arena, a Arena Fonte Nova e o Mané Garrincha, entre outras. Nunca antes uma igreja havia reservado, ao mesmo tempo, tantos espaços desse porte no Brasil. O gesto, por si só, já carrega um recado claro: mobilização em massa, capilaridade nacional e capacidade financeira robusta. Mas o simbolismo não para por aí.
Quem explicitou o tom político da mobilização foi Renato Cardoso, genro de Macedo e apontado como seu sucessor. Em vídeo nas redes sociais, ele classificou o evento como “a maior lata de conservas da família” — uma ironia direta a manifestações culturais recentes que criticaram o conservadorismo e associadas erroneamente ao presidente Lula.
A fala não foi acidental. Ela dialoga com um ambiente de crescente polarização e com dados que mostram desgaste do governo entre evangélicos. Pesquisas recentes indicam que a maioria desse público desaprova a gestão petista, cenário explorado por lideranças religiosas como ferramenta de pressão política. Por trás da mobilização, há uma engrenagem financeira pesada. Alugar estádios desse porte custa caro. Muito caro.
Eventos recentes ajudam a dimensionar a conta: A Neo Química Arena já cobrou cerca de R$ 2,9 milhões por um único evento religioso; O Pacaembu gira em torno de R$ 1,25 milhão; estruturas adicionais (som, segurança, logística) elevam ainda mais os valores. Com nove arenas, a operação pode facilmente ultrapassar dezenas de milhões de reais.
E há um elemento ainda mais sensível: o uso indireto de dinheiro público. Governos estaduais e municipais frequentemente patrocinam ou subsidiam eventos desse tipo. No Rio de Janeiro, por exemplo, a gestão de Cláudio Castro já anunciou aporte milionário para viabilizar a estrutura no Maracanã.
Universal, republicanos e o jogo de poder
A Universal não atua sozinha. Seu braço político é o Republicanos, presidido por Marcos Pereira. A sigla vive um momento de insatisfação: ficou fora das principais articulações tanto do governo Lula quanto do campo bolsonarista. Esse isolamento ajuda a explicar o timing da ofensiva. Sem protagonismo nas negociações nacionais, a igreja aposta naquilo que sempre foi sua maior força: mobilização popular. Ao lotar estádios, envia um recado direto aos atores políticos: ignorar a Universal pode ter custo eleitoral.
Historicamente, a relação com o PT é marcada por idas e vindas. Nos anos 1990, Edir Macedo atacava duramente Lula. Nos anos 2000, houve aproximação e apoio eleitoral. Mais recentemente, a igreja se alinhou a Jair Bolsonaro, sem, no entanto, abrir mão de espaço no atual governo. O padrão é claro: pragmatismo político acima de coerência ideológica.
O movimento também ocorre em meio a tensões internas. O deputado Marcelo Crivella, sobrinho de Macedo, tenta viabilizar candidatura ao Senado, enquanto a cúpula do partido prefere mantê-lo como puxador de votos na Câmara. Essa divergência revela que o projeto da Universal não é apenas religioso ou ideológico. É também eleitoral.
A estratégia para 2026 inclui: fortalecimento em estados-chave, manutenção de autonomia no primeiro turno presidencial e a pressão por mais espaço em alianças nacionais.
Religião como instrumento de pressão
A ocupação simultânea de estádios funciona como demonstração de força simbólica e prática. Ao reunir multidões, a Universal reforça sua capacidade de influenciar votos, pautas e narrativas. Não se trata apenas de fé, mas de poder organizado.
A escolha da Sexta-feira da Paixão amplia o impacto emocional, enquanto o discurso em defesa da “família” conecta-se diretamente a pautas conservadoras que mobilizam sua base. Ao mesmo tempo, críticas indiretas ao governo transformam o evento em ato político de massa.
Ao investir milhões e mobilizar milhares de fiéis, a Universal deixa claro que pretende jogar pesado no cenário político brasileiro. A mensagem é simples: quem quiser governar o país terá que lidar com o peso das igrejas — e, especialmente, com o peso da Universal, que varia conforme as pesquisas, entre a terceira e a quarta força no universo evangélico brasileiro, dominado de longe pelas Assembleias de Deus.
Entre cruzes e palanques, a fronteira entre religião e política nunca pareceu tão tênue.
Assessoria/Zé Barbosa Junior/Revista Fórum/Caminho Político
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