Federação União Brasil–PP enfrenta impasses em ao menos 14 estados antes da homologação

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está prestes a autorizar a criação da federação União Progressista, que reunirá os partidos União Brasil e Progressistas (PP). Para que a aliança seja válida já na eleição do próximo dia 4 de outubro, o pedido precisa ser homologado até seis meses antes do pleito, portanto, no início de abril.
Segundo o presidente do União Brasil no Ceará, o ex-deputado federal Capitão Wagner, a federação deve ser oficializada nos próximos dias. À reportagem, ele afirmou que houve atraso no protocolo junto ao TSE, apresentado apenas no início de dezembro do ano passado, o que retardou a tramitação.
Quando for oficializada, a federação reunirá 108 deputados federais — a maior bancada da Câmara — e 12 senadores, número inferior apenas aos das bancadas do PL e do PSD. Juntas, as siglas também passarão a concentrar um fundo partidário de R$ 954 milhões; além de seis governadores e 1.343 prefeitos no Brasil, o maior contingente municipal entre todos os partidos.
Pela legislação eleitoral, partidos federados devem atuar como uma única legenda por, no mínimo, quatro anos, com posição unificada nas eleições e atuação conjunta no Congresso, inclusive com liderança compartilhada. A perspectiva desse arranjo, especialmente nas composições estaduais, tem provocado tensões antes mesmo da homologação da federação.
Insatisfações e disputas
Os alinhamentos nos estados e as indefinições sobre o posicionamento nacional da federação têm provocado polêmicas entre membros do União Brasil e do PP, com registros de insatisfação em pelo menos 14 estados. Parlamentares já admitem, nos bastidores, possibilidade de desfiliações em massa caso os interesses regionais sejam atropelados por decisões centralizadas.
O cenário nacional contribui para o desgaste. A indefinição sobre quem liderará a oposição ao presidente Lula (PT) em 2026 expôs divergências internas. União Brasil e PP chegaram a convergir em torno de uma eventual candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), hipótese que perdeu força após o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) declarar apoio ao próprio filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).Desde então, as legendas recalculam movimentos. Em dezembro, o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, publicou mensagem defendendo “responsabilidade fiscal e social” e exaltando o tamanho da federação, afirmando que todos estariam “juntos”. Internamente, no entanto, o discurso não tem sido suficiente para conter resistências.
As rixas começam justamente na definição do apoio à Presidência. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), lançou-se como pré-candidato ao Planalto, mas enfrenta forte resistência dentro do PP. O próprio presidente da sigla, o senador Ciro Nogueira, já fez críticas públicas a Caiado.
Caiado cobra que sua pré-candidatura seja submetida a uma convenção nacional, demanda que ampliou resistências não apenas em Goiás, mas também em estados sob a influência dele.
Assessoria/Marcelo Bloc/O POVO/Caminho Político
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