Waack: Amplia-se o racha feito por Trump na direita brasileira

Donald Trump está ajudando a produzir um grande racha no espectro político de direita no Brasil, que vai de um centrismo amorfo até uma extrema-direita hostil a quem quer que não obedeça cegamente Jair Bolsonaro.
Deputados de oposição racharam com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que não andou com a pauta de anistia ampla, conforme pretendido por eles. E ainda passou o trator por cima deles, proibindo sessões durante o recesso parlamentar. Racha significativo está se aprofundando em setores da economia — particularmente a agroindústria — ligados a Bolsonaro, nos quais está sedimentando rapidamente a noção de que a campanha do clã Bolsonaro em favor do tarifaço de Trump só traz prejuízos.
Setores da indústria e do comércio já haviam chegado a essa conclusão — igualmente o das finanças. Também a cúpula das Forças Armadas teme pelo pior: que um agravamento da crise leve a danos irreparáveis nas estreitas ligações do setor de defesa com os Estados Unidos e países da Otan. Associar-se a Trump, especialmente com a subserviência praticada pelo clã Bolsonaro, tornou-se um problema tóxico na política brasileira.
E, de maneira inversa, chegou até ao Supremo, onde se produziu publicamente um racha quanto à aplicação das medidas cautelares contra Jair Bolsonaro impostas por Alexandre de Moraes — vistas como contraproducentes a partir da própria perspectiva do STF na luta política da qual é parte.
As negociações do governo não estão indo a lugar algum — não há pauta nem agenda. Mas, do ponto de vista político, Trump está ajudando o governo Lula. Ele faz a China surgir como parceira melhor do que os Estados Unidos — velho sonho de Lula — e empresta a Lula uma causa.
William Waack/Caminho Político
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