Em meio a disputa com a Rússia que levou a queda acentuada no preço da commodity, estatal Saudi Aramco diz que elevará produção para 12,3 bilhões de barris por dia. Surto de coronavírus tem reduzido demanda por petróleo.A Arábia Saudita anunciou nesta terça-feira (10/03) que a petrolífera estatal Saudi Aramco aumentará em abril sua produção de petróleo bruto para um recorde de 12,3 milhões de barris por dia.
Até a última sexta-feira, a própria Arábia Saudita vinha defendendo a redução da produção do petróleo bruto para tentar estabilizar os preços, que vinham caindo desde janeiro, quando teve início o surto do novo coronavírus na China. Porém, a Rússia não aceitou a proposta de novos cortes em reunião com a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), da qual os sauditas são membros.
Segundo o jornal Financial Times, a Rússia queria aguardar o impacto real do coronavírus na demanda global por petróleo e testar a indústria petrolífera americana. Em retaliação, os sauditas decidiram aumentar sua produção e oferecer descontos de até 20%, especialmente no noroeste da Europa, um dos principais mercados da Rússia.
Em declaração feita na bolsa de Tadawul, em Riad, a estatal petrolífera Saudi Aramco (Saudi Arabian Oil Company) afirmou que o aumento na produção representa um acréscimo de 300 mil barris por dia.
"A empresa chegou a um acordo com seus clientes para fornecer esses volumes a partir de 1º de abril de 2020", disse a Saudi Aramco. "A empresa espera que isso tenha um efeito financeiro positivo no longo prazo." A decisão provavelmente pressionará ainda mais os preços.
Nesta terça, as ações da Saudi Aramco subiram 9,7% na bolsa saudita – para 8,25 dólares, o que uma valorização de cerca de 1,65 trilhão de dólares para a companhia mais rentável do mundo. A variação ocorreu um dia depois de as ações da Saudi Aramco despencarem 10% e serem retiradas das negociações por atingirem e perda máxima permitida num dia na bolsa saudita.
Posteriormente, a televisão estatal saudita citou o ministro da Energia, o príncipe Abdulaziz bin Salman, que afirmou que o país não vê necessidade de uma reunião da Opep em maio e junho.
"Cada produtor de petróleo no mercado livre pode cuidar de sua própria fatia de mercado", disse o ministro, de acordo com a emissora estatal.
A queda no preço do petróleo se dá num momento em que há menos demanda por viagens aéreas em meio à disseminação do novo coronavírus pelo mundo.
PV/ap/ots/cp
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