Desde
o dia 6 de outubro, trabalhadores de bancos, públicos e privados, estão em
greve contra a intransigência dos bancos. De norte a sul do país mais de 11 mil
locais de trabalho já estão paralisados, entre agências e centros
administrativos.
Segundo
informações da Intersindical – Central da Classe Trabalhadora, na Baixada
Santista, mais de 90% dos funcionários participam da paralisação nacional. Já
no Espírito Santo, a categoria realiza uma das mais fortes greves dos últimos
anos e 309 agências e departamentos estão paralisados. Em São Paulo, maior
concentração de bancários do país, mais de 50 mil trabalhadores estão na greve.
A
categoria espera que a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) convoque novas
negociações e apresente uma proposta que atenda as reivindicações dos
trabalhadores.
De
acordo com a Intersindical, enquanto os bancos querem impor uma perda salarial
aos funcionários, eles pretendem aumentar a remuneração dos altos executivos em
torno de 81%. “A média de remuneração dos diretores de banco é de R$ 420 mil
por mês. Ganham em um ano o que um bancário no início de carreira levaria 210
anos para receber”, lembra Edson Carneiro Índio, diretor do Sindicato dos
bancários de São Paulo e funcionário do Bradesco. “Apesar disso, têm a
cara-de-pau de apresentar uma proposta que sequer repõe a inflação do período
aos que verdadeiramente carrega o piano e mantém o atendimento aos clientes,
mesmo sob péssimas condições de trabalho”, conclui Índio, que também é
Secretário Geral da Intersindical.
Já
o lucro dos bancos não para de crescer. A entidade explica que apenas no
primeiro semestre de 2015, os cinco maiores bancos atingiram R$ 36 bilhões em
lucros. O valor das tarifas subiu 169% acima da inflação nos últimos três anos.
Já as taxas de juros, em todas as modalidades de crédito, são as maiores do
mundo. No rotativo do cartão de crédito, por exemplo, a taxa de juros média
chegou a 400%. Algumas operadoras de cartão chegam a praticar juros de mais de
600% ao ano.
Pressão
na Fazenda
Na
última quarta-feira (14), os bancários em greve no Distrito Federal foram até a
Esplanada dos Ministérios pressionar uma das principais instituições da área
econômica do governo federal. Com a participação de funcionários de bancos
públicos e privados de Brasília e das várias cidades do DF, o comando de greve
promoveu uma manifestação em frente ao Ministério da Fazenda, comandado por
Joaquim Levy, o maior aliado da presidente Dilma Rousseff nas políticas de
ajuste fiscal em curso no país.
Além
de dialogar com a população sobre as reivindicações da categoria, que incluem
cláusulas que afetam diretamente a sociedade, o movimento tem conquistado a
adesão de novos bancários para a luta.
Reivindicações
Decidida
após 40 dias de negociação, sem sucesso, entre representantes dos trabalhadores
e a Fenaban, a greve dos bancários reivindica um reajuste salarial de 16%
(reposição da inflação mais 5,7% de aumento real). A Fenaban ofereceu 5,5% de
reajuste para os salários e vales.
Segundo
as entidades sindicais que lideram a greve, a contraproposta dos patrões não
atende às necessidades da categoria. Além do reajuste nos salários, os
bancários reivindicam, ainda, garantia de emprego, melhores condições de trabalho,
com o fim das metas abusivas, e igualdade de oportunidades.
Apoio
do PSOL
Com
vários militantes atuando no movimento dos bancários, a Executiva Nacional do
PSOL aprovou, em reunião do dia 5 de outubro, uma moção em apoio à greve
nacional da categoria. Para a direção do partido, a luta desse importante setor
da classe trabalhadora é legítima, em especial num momento em que o ramo
financeiro foi um dos únicos da economia que aumentaram seus lucros, ganhando
com a especulação financeira, com as altas taxas bancárias e com a exploração
dos trabalhadores. Na moção, o partido também repudia a contraproposta
apresentada pela entidade patronal.
Leia
abaixo o texto completo da moção.
Moção
de apoio à greve dos bancários
O
ajuste fiscal tem imposto mais arrocho salarial, desemprego e precarização das
relações de trabalho. Diante da grave crise econômica que tem imposto mais
dificuldades para os trabalhadores, enquanto o setor financeiro foi um dos
únicos setores econômicos que aumentaram seus lucros, ganhando com a
especulação financeira, com as altas taxas bancárias e com a exploração dos
trabalhadores e trabalhadoras bancárias, consideramos legítimas todas as lutas
por mais direitos e em defesa do emprego e dos salários.
Por
isso, o PSOL apoia a greve dos trabalhadores bancários do Brasil e repudia a
proposta abaixo da inflação apresentada pela Fenaban aos bancários e bancárias,
uma verdadeira afronta daqueles que mais lucram no país. Apoiamos a greve que
se inicia esta semana. Nosso partido está a postos para fazer avançar essa
importante luta.
Executiva
Nacional do PSOL
Com
informações da Intersindical - Central da Classe Trabalhadora e Sindicato dos
Bancários do DF
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