"ARTIGO : Lobby contra Mato Grosso"

Nesta quinta-feira durante uma espera de uma audiência, conversávamos o articulista Alfredo Menezes e o professor João Edisom, a propósito do artigo escrito por Alfredo naquele dia tratando das dissidências políticas ocorridas durante a divisão de Mato Grosso em 1977. Um assunto puxa outro e acabei por me lembrar de um fato da época também ligado à divisão. Porém, antes de citá-lo gostaria de fazer uma justificativa. Em recente seminário na Fundação Dom Cabral em Belo Horizonte, o tema foi “Gerenciando Incertezas – Maximizando Oportunidades”, destrinchando a encrenca de crises em que o Brasil está metido.
            Todos os professores palestrantes foram unânimes que é preciso compreender a História brasileira para se compreender o trauma atual. E do ponto de vista filosófico, quem não conhece a história não compreende o presente e tampouco será capaz de planejar o futuro. Dito isto, lembrava a Alfredo e João Edisom o lobby que foi feito a partir de 1976 contra o Norte de Mato Grosso. A economia de Mato Grosso estava inteiramente concentrada na pecuária pantaneira e o seu agente financeiro, o Banco Financial, estava em Campo Grande. Bom lembrar que o Banco Financial pertencia aos grandes pecuaristas pantaneiros. Mesmo a pecuária de Poconé, de Cáceres e de Barão de Melgaço era na maioria de propriedade sulista.
            O Banco Financial engajou-se na luta divisionista defendida em Campo Grande. Financiou um grande lobby na imprensa nacional, nascido conivente dentro do Palácio do Planalto,  visando criar desgaste provando que era impossível um estado tão grande, com mais de 1 milhão e 200 mil km2 ser administrado a partir de Cuiabá. Aliás, a rivalidade entre as duas cidades era enorme. Tanto, que a revista Veja e todos os quatro grandes jornais do país, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, O Globo e o Jornal do Brasil mantinham correspondentes em Cuiabá com pautas profundamente desgastantes para o Governo de Mato Grosso. Tão logo passou a divisão em 1977, todos os correspondentes foram demitidos e fechadas as representações em Cuiabá.
            O ponto de encontro de todos era na cabine de telex dos Correios, na Praça da República, em Cuiabá, onde construíam as pautas e enviavam as matérias através do telex para suas redações. O pano de fundo da divisão de Mato Grosso não foi uma bandeira tão colorida como hoje tentam fazer parecer as lideranças de Mato Grosso do Sul. As rixas entre as duas capitais ainda fazem parte do imaginário da divisão, 38 anos depois.
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

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