Em 2013 o Brasil foi surpreendido com milhares de jovens nas ruas, convocados fora dos padrões da mídia convencional. De lá para as chamadas mídiais sociais ganharam ímpeto e a comunicação interpessoal mudou de endereço com o surgimento do Whatsapp que não era tão popular como agora. Naquele momento prevaleceu o Facebook.
Lá nos anos de faculdade de jornalismo, há mais de quatro décadas, líamos como leitura obrigatória duas obras então futuristas: “O admirável mundo novo”, de Aldous Huxley e “1984”, de George Orwell. Neles se falava de profecias, porque à época o telefone convencional era precário, apesar representar grande modernidade.
Neste domingo as manifestações, convocadas prioritariamente pelo Facebook e pelas demais redes sociais, mostraram que a linguagem da comunicação está trocando de mãos. A mídia convencional, representada pelas televisões, pelos jornais, rádios, revistas e a publicidade, já não falam com unanimidade às camadas sociais cada vez mais segmentadas. Na hipótese que houvesse um chamamento através da novela das 9 na Rede Globo, só atingiria um público maduro com baixo poder de replicar o chamamento.
O governo, por sua vez, colocou em campo um exército de profissionais e de militantes pra contra-atacar nas redes sociais na tentativa de esvaziar ou de desqualificar o movimento de manifestações. Acabou numa guerra entre militâncias civis e militâncias partidárias. O fato é que as pessoas que foram às ruas no país, algo em torno de 1 milhão e 200 mil, segundo cálculos, não foram convocadas pela mídia comercial, porque ela evitar correr esses riscos. Sempre existe o medo da perseguição posterior.
Em 2013 a mídia ninja deu um show, filmando com celulares e divulgando imediatamente sem cortes e nem edição. As polícias que naquele momento agiam feito barata tonta mas acabavam servido mais ao poder do que a população, se viram emparedadas pela mídia ninja e com imagens fortes nas mídias sociais. Deu o que pensar e os desgastes não agradaram. Em 2015, as polícias se mantiveram no estrito papel de observadoras da ordem. E não houve necessidade de confrontos e conflitos.
Pode se dizer que as mídias sociais funcionaram e funcionarão cada vez mais como freios sociais contra o poder antes absoluto do Estado. Sinais de uma nova sociedade construída a partir de mídias horizontais, fora dos controles políticos.
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso
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