O Plenário do Senado
aprovou ontem em segundo
turno o fim das coligações
partidárias nas eleições
proporcionais. A Proposta de
Emenda à Constituição (PEC)
do ex-senador José Sarney
segue agora para análise da
Câmara dos Deputados.
Foram 62 votos a favor do
texto (PEC 40/2011) e apenas
3 contrários, além de 1
abstenção.
Para uma PEC ser
aprovada, é preciso o apoio de
três quintos dos senadores, ou
seja, 49 votos.
A PEC havia passado por
primeiro turno de votação
há duas semanas e faz parte
de um grupo de projetos
relacionadas à reforma política
selecionados pelo presidente
do Senado, Renan Calheiros, e
pelos líderes partidários.
Pela proposta, serão admitidas
coligações somente
nas eleições majoritárias —
para presidente da República,
governadores, prefeitos
e senadores. Fica proibida
a coligação nas eleições
para vereadores, deputados
estaduais, distritais e federais.
Para Cássio Cunha Lima
(PSDB-PB), a aprovação da
proposta é um primeiro e
importante passo nas reformas
que estão sendo discutidas no
Congresso. O senador disse
que a medida vai aprimorar
o sistema de representação
política no Brasil.
Omar Aziz (PSD-AM) reconheceu
que o fim das coligações
é importante, mas
defendeu urgência para o
debate sobre o financiamento
das campanhas.
Por sua vez, João Capiberibe
(PSB-AP) avaliou que o fim da
reeleição deve ser outro tema
tratado com urgência.
Walter Pinheiro (PT-BA)
cobrou a inclusão de outras
pautas que promovam uma
reforma política ampla, como
a reestruturação dos partidos
e o financiamento eleitoral.
Na visão de Randolfe Rodrigues
(PSOL-AP), a PEC 40
pode evitar “os oportunismos
eleitorais”.
Blairo Maggi (PR-MT) disse
que o fim das coligações nas
eleições proporcionais moraliza
os pleitos e pode ajudar
a acabar com as legendas de
aluguel.
Aécio Neves (PSDB-MG)
elogiou a iniciativa de Renan
em trazer para o Plenário temas
da reforma política. No
entanto, pediu uma articula-
ção mais clara com a Câmara
dos Deputados, para que um
tema aprovado em uma Casa
não fique esquecido em outra.
Ele lembrou que muitos
projetos passaram no Senado
e não tiveram andamento na
Câmara.
Em resposta, Renan informou
que, mais cedo, teve
um encontro com o presidente
da Câmara, Eduardo
Cunha (PMDB-RJ), em que
ficou acertada uma agenda
comum entre as duas Casas
do Congresso, tendo a reforma
política como um dos assuntos
principais para o que definiu
como “pauta expressa”.
Sessão temática
A sessão temática convocada
para o debate do financiamento
de campanhas eleitorais,
inicialmente marcada para
ontem, foi adiada. Ainda não
há nova data prevista para o
debate.
Na sessão, os senadores
pretendem discutir possibilidades
para o custeio das
campanhas políticas.
Parlamentares
do PT defendem o
financiamento público, com
as campanhas sendo feitas
exclusivamente com recursos
da União.
Esse entendimento está
previsto no Projeto de Lei do
Senado (PLS) 268/2011.
Outra parte dos senadores
defende a adoção de um
modelo misto, com a possibilidade
de doações por
pessoas físicas — não mais
empresas privadas — e com
limites anuais distintos para
recebimento de recursos por
candidatos e partidos.
Essa visão é parcialmente
defendida no PLS 47/2015.
Assessoria
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